domingo, 28 de setembro de 2008

ENTREVISTA AO BLOG OTORTOEADIREITA







Tinha evitado fala em política municipal, em virtude de minha decisão de não se envolver nestas eleições, mas como existe um ditado que diz "Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma pescaria" resolvi expressar meus sentimentos para evitar que paire qualquer dúvida sobre minha posição. Nesta entrevista, concedida ao blog otortoeadireita, reafirmo minha posições de não participar da campanha municipal e falo sobre as minhas impressões sobre Quixadá e o atual momento político.





O TORTO - Cristiano, fale-me de você e de sua relação com a política, como você foi atraído Por ela?




CRISTIANO - Sempre participei de grêmios estudantis, de clube filatélico, de torcida organizada do Quixadá, de tudo que tivesse movimento. Se eu me identificasse, estava dentro. Era bem novinho e fui participante do Movimento Pró-Mudanças, atraído pelos professores da época.
Como eleitor meus primeiros votos foram para Deputado Federal no Luiz Oswaldo e Deputado Estadual José da Páscoa. Acompanhava os comícios e era bem divertido principalmente para conhecer algumas meninas e começar os primeiros namoros. A turma da época era o Saraiva, Lima (Sebrae), Hélio Duarte e outros.
Quando entrei na faculdade, no curso de História da FECLESC, passei a ter contato com outras idéias e em pouco tempo fui me aproximando da esquerda. Participei do Centro Acadêmico de História e fui para vários encontros da faculdade, seminários, etc. Fundamos um jornal que se chamava “A OLHO NU” que chegou a ser sucesso entre a comunidade acadêmica. Ajudamos a organizar os primeiros jogos estudantis universitários em Quixadá e a Mostra de Artes Plásticas (MAPUQ).
Mantinha minha característica de participar de tudo. Envolvemos-nos na luta da universidade por mais professores, livros para a biblioteca, entre outras reivindicações. Nesse período aconteceram às eleições presidenciais e conseqüentemente, muitas debates foram travados na universidade. Apoiei na época Leonel Brizola. Panfletamos, fomos a comícios, passei a me interessar cada vez mais pela política. Quando aconteceu o 1o turno e o Lula era o adversário de Fernando Collor, passamos a apoiar o Lula imediatamente. Daí para frente passei a votar sempre no PT. Mesmo quando Ilário pediu, em 1994, aos cargos comissionados para votar no Tasso e no Sérgio Machado desobedeci e votei nos candidatos do PT. Voltando a 1992, quando estava iniciando a campanha eleitoral, tivemos a inclusão do professor Gilberto Telmo (então diretor da FECLESC) como vice na chapa do PT. Foi um motivo a mais para nos integrarmos totalmente à campanha.
A campanha começou pequena e foi crescendo. Organizamos o Comitê Jovem que teve uma participação decisiva na eleição. Chegou até a indicar a candidata a vice, quando da impugnação do Telmo, que foi a Professora Júlia Tavares. Éramos poucos, mas fazíamos um barulho danado na campanha. Lembro do Rinaldo Róger, Romero, Maílson, Moésio, Vicente, Wellington Viana, Hélio, Rick Maranguape, Gilberto Tomé, Karine, Roberta, Lara e Júlio César.
A eleição veio e ganhamos com uma margem mínima, mas suficiente para muitas comemorações. Pouco tempo depois fui convidado para ser Secretário de Cultura, na primeira gestão de Ilário, e procurei aproveitar parte da equipe do comitê jovem. Em 1993 filiei-me ao PT.

O TORTO - Como foi a experiência como secretário de cultura?




CRISTIANO - A secretaria envolvia a cultura, o turismo e o desporto. Tínhamos uma equipe bem pequena e sem estrutura. A força de vontade de fazer as coisas acontecer, com muita paixão de todos nós, trouxe muitos frutos. Organizamos um carnaval de rua com uma estrutura nunca vista à época, inclusive foi um choque cultural, pois trouxemos a banda baiana Raízes do Pelô para animar as noites. Foi um sucesso. Criamos a Festa Pula Fogueira que tornou-se nos quatro anos um grande espetáculo. Reorganizamos a biblioteca e o museu histórico. Elaboramos um mapeamento cultural e histórico de Quixadá, o qual foi destruído por mãos sem sensibilidade. Fizemos muitos eventos, cursos e oficinas. Organizou-se o 1o réveillon popular com a queima de fogos da Pedra do Cruzeiro. Foram momentos de muito aprendizado.

O TORTO - E como vereador, como foi a experiência?




CRISTIANO - Tive dois momentos no legislativo. O primeiro mandato foi um mandato de vereador de oposição. Foi um mandato bastante combativo, mas também de muitas propostas. Foi dessa época uma lei de minha autoria sobre o patrimônio histórico que o Dr. Romeu (IPHAN) considera a melhor lei municipal do Brasil, por contemplar diversos mecanismos para a preservação da nossa história.
A ação política demarcou mais o mandato, pois buscávamos retomar a prefeitura. Assumi a presidência do PT, coordenei a campanha do Ilário à Assembléia, bem como a realização da Copa Ilário Marques, que foi um grande sucesso de publico e político. E a vitória veio.
No segundo mandato, passei todo na presidência da Câmara. Além de construir um auditório modelo, implantar uma biblioteca, reestruturar a videoteca, adequar o prédio dentro das normas da acessibilidade (rampa de acesso, banheiros adequados, etc.); o maior desafio foi transformar o parlamento em algo dinâmico com muitas audiências públicas, seminários e debates. Foram momentos ricos para o parlamento. Deve-se ressaltar até a concessão de comendas que recebeu uma atenção especial com a sua especial valoração.
A organização interna da casa ganhou muito com a criação da pauta, incrível não existir isso antes; a informatização, os vários treinamentos que servidores e vereadores receberam ao longo do período em que comandei aquela casa. Foi também uma experiência maravilhosa, como se fizesse uma outra faculdade.

O TORTO - E a experiência como vice-prefeito e prefeito interino?




CRISTIANO - Procurei como vice e como prefeito interino colaborar no que eu podia para o sucesso dos grandes projetos da administração. Fui eu que elaborei junto com outros colaboradores o projeto do CEFET e da UAB. Acompanhei o projeto da UFC até o seu final. Tive audiências com ministros para discutir e encaminhar projetos. Participei de inúmeras reuniões sobre o projeto da usina de biodiesel e de outros benefícios para nossa cidade.
Enquanto assumi a prefeitura os salários dos servidores continuaram rigorosamente em dia, as obras não paralisaram; cumpri as contrapartidas dos projetos; concluímos diversas obras como o Centro de Referência da Mulher, calçamentos em vários bairros e distritos, três telecentros foram implantados; fizemos o reforma do Estádio Municipal e iniciamos a reforma interna do Ginásio Poliesportivo Governador Gonzaga Mota e a do ABC Baviera de Carvalho com recursos próprios. Aprovamos a Lei da Equidade com inúmeros direitos para servidoras e servidores municipais. Cumprimos os percentuais para aplicação na educação e saúde. Foi uma experiência que exigiu muito de mim, mas sem modéstia, demos conta do recado. Cumprimos nosso papel.

O TORTO - Você está momentaneamente longe da vida política de Quixadá. O que está fazendo? Quais seus planos pessoais e profissionais?




CRISTIANO - No momento tenho me dedicado a minha formação. Estou concluindo o curso de direito na Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e fazendo especialização em Direito e Processo do Trabalho, além de outros cursos em língua portuguesa e informática avançada. Tenho estudado em média dez horas por dia, mas é necessário. Não descarto a idéia de voltar a ser servidor público. Quem sabe voltar ao magistério que sempre foi uma aspiração minha.

O TORTO - Depois de tudo o que aconteceu, a não indicação do seu nome como candidato à sucessão de Ilário e o rompimento com o prefeito, como está sua relação dentro do Partido dos Trabalhadores?




CRISTIANO - Desde o acontecido me afastei da atividade política. Tive que me deslocar para Fortaleza para concluir estes compromissos anteriormente citados. Tenho representado a Prefeitura em alguns eventos, pois sou vice-prefeito até o final do ano. Quanto ao partido tive poucos contatos com suas lideranças. Continuo apenas filiado. A propósito, fui a alguns eventos da campanha da prefeita Luizianne Lins em Fortaleza, mas apenas como expectador.

O TORTO - Você tem uma grande identificação com o PT de Quixadá, afinal são 16 anos de dedicação e trabalho. É verdade que você pretende deixar o partido? Você já tem conversações com uma nova sigla partidária?




CRISTIANO - Sinceramente não sei. Minha opção seria ficar no PT. Acho, porém, que dentro do Partido não terei quase nenhum espaço. Não concordei com a decisão do Ilário. O partido é o reflexo dele no município. Podem dizer o contrário, mas sua vontade é a que prevalece. O tempo é que será o senhor da minha decisão. Quanto aos convites de outros partidos tive sim. De vários, todos dos chamados de esquerda.

O TORTO - Passado todo esse tempo, depois de muitas reflexões que você deve ter feito, como você avalia o comportamento do prefeito Ilário?




CRISTIANO - Neste período todo (de junho até hoje) só dei uma entrevista e o que falei nela praticamente nada mudou. Tenho procurado me desligar um pouco da vida política, mas é difícil e por isso aceitei dar esta entrevista, mesmo que pelo meio virtual. Mas como está havendo muita fofoca resolvi falar com vocês. Não podia recusar, pois este blog foi o que mais me deu apoio. Vou então ratificar o que eu falei.
A avaliação é a mesma de decepção total. Procurei me qualificar para ser o candidato da gestão. Poderíamos debater e visitar todas as casas mostrando o que fizemos e o que poderíamos fazer, pois estávamos capacitados para tal. Pensei que este era o pensamento geral do partido e principalmente do “chefe”. Não era. Infelizmente a opção era por algo personalístico. O que importa é ganhar, não importa com quem. Lamentável.

O TORTO - Neste período turbulento que você passou, quais os apoios que você destacaria como importantes?




CRISTIANO - Da população em geral, dos verdadeiros amigos, da família. Tive muita solidariedade. Fiquei muito feliz com todas as manifestações de apoio e carinho. Guardo boas recordações.

O TORTO - Com exceção do prefeito, o qual você mantinha uma estreita relação de amizade, quem mais te magoou nesta história?




CRISTIANO - Não guardo rancor nem ódio no meu coração. As decepções existem, mas alguém que ocupa cargo público deve estar preparado para este tipo de coisa. Posso citar um caso: tem uma pessoa, sempre que me via, procurava saber como as coisas estavam, dizia da sua disposição para a campanha, mas pelas costas destilava o seu veneno, falava verdadeiros absurdos. Quando a vejo, a cumprimento, mas estou aliviado, pois não precisarei conviver novamente com ela.

O TORTO - Você se culpa por ter confiado demais nas palavras do amigo Ilário e por conta disso não ter feito as articulações necessárias para que tivesse ocorrido uma prévia interna do partido?




CRISTIANO - Não me culpo. Sei que fiz o que devia ser feito. Confiei demais, é verdade. Diz um ditado que na política não há lugar para ingênuos. Talvez tenha sido ingênuo e sonhador demais. Mas continuarei sonhador.

O TORTO - Ouviu-se falar muito em Quixadá que o Ilário havia dito que com o atual candidato seria mais fácil ganhar a eleição? Essa afirmação existiu? Isso não é jogar fora uma história de luta?




CRISTIANO - É verdade. Existiu. Disse-me olho no olho. Mesmo nervoso, como fiquei no momento, ainda falei pra ele que isto não tinha meu apoio, que eu não compartilharia desta decisão e também não participaria da campanha eleitoral do PT.

O TORTO - Politicamente você já declarou que está afastado do prefeito Ilário Marques. Como está sua relação pessoal com ele?




CRISTIANO - Não existe relação alguma, nem de amizade, nem política.

O TORTO - Você foi uma das pessoas que contribuiu e lutou para a instalação da usina de biodiesel da Petrobrás em Quixadá. Como você vê este sonho transformar-se em realidade mesmo afastado da administração municipal?




CRISTIANO - Obviamente muito feliz. Fiz questão de comparecer à inauguração e ver este sonho sair do papel. Acho que o Lula tem feito um governo excepcional. Tem sido um exemplo para o nosso país e o mundo.

O TORTO - No seu site foi publicada uma matéria onde diz que você teve uma reunião com representantes da Associação dos Filhos e Amigos de Quixadá onde foram discutidos os mais diversos temas. Surgiu alguma conversa acerca de apoio político futuro?




CRISTIANO - Não. Recebi a visita de membros da diretoria da associação, os quais vieram se solidarizar comigo. Aproveitamos para discutir alguns temas de interesse da cidade como, por exemplo, a ocupação da Pedra do Cruzeiro por antenas, que sempre achei um absurdo. Discutimos alguns projetos que irei colaborar no que for possível. Foi uma visita de cortesia pela qual tive muito apreço.

O TORTO - Você recebeu o apoio e o convite de algumas entidades e empresários para se candidatar a vereador. O que o levou a não candidatar-se?




CRISTIANO - Achei que não seria adequado. Agradeci os apoios, mas coloquei que não seria conveniente para mim. Não por achar demérito ser vereador, pois acho uma função das mais relevantes. O motivo real de não aceitar, além de não sentir entusiasmado, era o fato de ter que subir para apoiar um palanque que não concordava.

O TORTO - Como você vê a candidatura do PT em Quixadá?




CRISTIANO - Estou afastado da campanha porque não concordo com ela. Não simplesmente por ter sido rifado. Principalmente porque não houve uma discussão séria dentro do partido sobre a sucessão municipal. Não houve consulta a base nenhuma. O pacote veio pronto para ser digerido. O candidato do PT não tem nenhum passado partidário, nenhuma experiência administrativa, não tem a cara do PT. Isto é do senso comum de todos.
Quais foram às propostas apresentadas por ele nesta campanha? Nenhuma. No dia da inauguração da usina de biodiesel, estive com um companheiro e ele me falou de uma conversa que ele teve com o candidato do PT e tinha ficado assustado com as bobagens que ele falou. Lembro de uma frase repetida pela pessoa, dita pelo candidato: “Depois do dia 5 de outubro eu vou ganhar a maioridade, quem vai mandar sou eu”. É lógico. É justamente aí que mora o perigo. Nossa cidade tem quase 80 mil habitantes, está vivendo um momento ímpar de desenvolvimento. Neste cenário é uma irresponsabilidade lançar um candidato tão despreparado como ele. E se for um desastre? Como diz a propaganda da justiça eleitoral são quatro longos anos. Este pecado eu não quero ter, de apoiar alguém em quem não acredito.

O TORTO - Sua carreira política sempre foi pautada na ética, na moral e na probidade administrativa. Você pensa em abandonar a vida pública? Ainda acredita na política?




CRISTIANO - Não penso em abandonar a política. Continuo com os mesmos princípios. Política é lugar para gente séria, preparada, competente, comprometida com as leis e com o bem estar da população. É lugar de gente honesta e não de espertalhões. Este período que estou vivenciando fortalece ainda mais o que penso. As leituras que tenho feito, as conversas que tenho tido, os seminários que tenho participado mostram que existe muita gente bem intencionada no mundo. Não podemos deixar que uma minoria tenha tanta força e faça-nos pensar que não tem jeito para consertar este país e o mundo.

O TORTO – Então, você pretende se candidatar a algum cargo político em Quixadá?




CRISTIANO - Como tenho dito, sinceramente não sei. Preparei-me da melhor maneira possível para ser um grande prefeito. Nos momentos de crise abrem-se várias oportunidades profissionais e terei que avaliar em um futuro próximo. Se Deus me reservar este destino de continuar na política estarei preparado.

O TORTO - Você está se dedicando a conclusão do curso de direito. Em algum momento bate um arrependimento de muitas vezes ter ”trancado” o curso e conseqüentemente atrasado o término da sua faculdade, para trabalhar em benefício do município de Quixadá?




CRISTIANO - De forma alguma. Na vida, em determinados momentos, você se vê diante de encruzilhadas e tem que escolher um caminho. Não há como deixar para depois de tomar a decisão, pensar em como seria se tivesse tomado o caminho contrário. Tem que percorrer aquele caminho escolhido da melhor forma possível. Tenho essa filosofia de vida. Não penso: “Ah, não devia ter saído do Banco do Brasil e ter comprado uma panificadora”. Penso que o Banco do Brasil me deu uma grande experiência de vida. “Ah, devia ter casado com aquela minha namorada do passado”. Recordo-me que vivi bons momentos com ela, mas que agora ela casou e não dá pra voltar atrás. São exemplos (risos). A questão é olhar para frente e construir o futuro da melhor maneira possível. É isso que tenho feito. Estou fazendo uma revisão geral da faculdade e buscando me qualificar o máximo agora. Até porque tenho a certeza de ter contribuído com bons projetos para minha cidade e isto vale qualquer sacrifício.

O TORTO - Qual a sua melhor e pior experiência nestes 16 anos de vida pública?




CRISTIANO - Tive muitos bons momentos na vida política. Algumas amizades que carrego desde o início da carreira. O carinho das pessoas não tem preço, como diz uma batida propaganda. O pior momento curiosamente não é esse atual, foi quando assumi como prefeito, em uma crise financeira sem limites, e tive poucos aliados próximos para me ajudar a superar aquele momento. Senti-me só.

O TORTO - Surgiram boatos do seu apoio à candidatura do PSDB em Quixadá, em virtude de sua irmã ter subido no palanque Tucano. O que tem de verdade, o que tem de mentira?
CRISTIANO - Minha irmã é eleitora de Quixadá e fez a opção democrática pelo Zé Nílson. Não é filiada ao PT, tem idade para ser minha mãe e realmente acredita que o mais preparado é o candidato que ela escolheu. Tem subido nos palanques e até falado. Eu iria proibir? Não tinha como e nunca faria isto.

O TORTO - E o que acha da eleição com relação aos vereadores?
CRISTIANO - Acho que vai ter pouca renovação. Com apenas 10 vereadores fica difícil uma alteração nos quadros atuais. Acho que grande parte dos vereadores vai ser reeleita. Foi assim na eleição passada e acho que ocorrerá de novo. No PT são diversos vereadores que buscam a reeleição e acho que as vagas ficarão em sua maioria com eles. Tem nomes novos como o Ítalo Beethoven e a Neiva do sindicato que acharia interessante se fossem eleitos. Se a Edi for reeleita e ficasse na câmara também acho que faria um bom trabalho. Nos candidatos de oposição vejo muito forte a candidatura do Pedro Baquit que deve puxar a legenda. O resto é briga grande entre diversos candidatos. Acho que a população seria mais representada com um número de vereadores maior, pois isto não traz nenhum prejuízo. O gasto é o mesmo.

O TORTO - O que acha dos candidatos a prefeito, Rômulo, Zé Nílson, Mônica e Roberto Costa?
CRISTIANO - Vocês querem me botar em boca quente. Mas vamos lá. Do Rômulo como candidato já expressei minha opinião. Em relação a Mônica posso falar que é uma mulher de muita coragem para participar desta campanha sem uma base de apoios sedimentada. Acho que ela teve erros estratégicos pois quem bate demais em uma eleição acaba perdendo espaço.
Do Zé Nílson posso falar que é uma pessoa preparada, que tem experiência e está fazendo uma boa gestão a frente da Faculdade Católica. Foi meu eleitor para a câmara em 2.000. Tenho uma relação respeitosa com ele.
Já o Roberto Costa, acho que é uma candidatura de protesto, mas que não vejo visibilidade como eu vi quando ele foi candidato a deputado federal.

O TORTO - Uma mensagem final para a população de Quixadá.
CRISTIANO - Queria agradecer a todos os apoios que tive ao longo destes últimos meses. Peço o entendimento para minha ausência nesta campanha em Quixadá. Peço também a todos que pensem bem no seu voto, pensem no futuro de nossa cidade e escolham o melhor candidato para governá-la.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Uma nova crise de 1929 no capitalismo ?


Esta crise que se abateu sobre o capitalismo nos EUA nos lembra o crack da bolsa de 1929. Esta entrevista transcrita da Carta Capital nos mostra a importância deste momento histórico. E hoje tem debate nas eleições presidenciais americanas. Quem dera poder votar no Obama e não em certos candidatos de nosso país.


JOSEPH STIGLITZ
A crise de Wall Street equivale à queda do Muro de Berlim


Para o prêmio Nobel de Economia de 2001, a crise financeira que atingiu Wall Street e os mercados financeiros de todo o mundo equivale, para o fundamentalismo de mercado, ao que foi a queda do Muro de Berlim para o comunismo.

"Ela diz ao mundo que esse modelo não funciona. Esse momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas", diz Stiglitz.
Nathan Gardels – El País
Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia em 2001, sustenta que a crise de Wall Street evidencia que o modelo de fundamentalismo de mercado não funciona. Para ele, a crise que sacudiu Wall Street é para esse modelo o equivalente ao que foi a queda do Muro de Berlim para o comunismo. Stiglitz critica a complexidade dos produtos financeiros que provocaram a crise e os incentivos ao risco dos sistemas de recompensa dos executivos.

Barack Obama afirma que o naufrágio de Wall Street é a maior crise financeira desde a Grande Depressão. John McCain diz que a economia está ameaçada, mas é basicamente forte. Qual deles têm razão?

Stiglitz – Obama está muito mais próximo da verdade. Sim, os Estados Unidos tem talentos, grandes universidades e um bom setor de alta tecnologia. Mas os mercados financeiros desempenham um papel muito importante, sendo responsáveis nos últimos anos por cerca de 30% dos lucros empresariais. Os executivos dos mercados financeiros obtiveram esses lucros com o argumento de que estavam ajudando a gerir o risco e a garantir maior eficácia ao capital. Por isso, diziam, mereciam rendimentos tão altos. Ficou demonstrado que isso não é certo. A gestão que eles executaram foi muito mal. Agora, o tiro saiu pela culatra e o resto da economia pagará porque as trocas comerciais cairão devido à redução do crédito. Nenhuma economia moderna pode funcionar bem sem um setor financeiro vibrante.Assim, o diagnóstico de Obama, quando diz que nosso setor financeiro está em estado deplorável, é correto. E se está em um estado deplorável, isso significa que nossa economia está em um estado deplorável. Ainda que não levássemos em conta a comoção financeira, mas só a dívida doméstica, nacional e federal, isso já bastaria para ver a seriedade do problema. Estamos nos afogando. Se observarmos a desigualdade, que é a maior desde a Grande Depressão, o problema é sério. Se observarmos o estancamento dos salários, o problema é sério. A maior parte do crescimento econômico dos últimos cinco anos baseava-se em uma bolha do setor imobiliário, que agora estourou. E os frutos desse crescimento não foram repartidos amplamente. Em resumo, os fundamentos não são bons.


Qual deveria ser, na sua opinião, a resposta política ao afundamento de Wall Street?

Stiglitz – Está claro que necessitamos não só voltar a regular, mas também redesenhar o sistema regulador. Durante seu reinado como chefe do Federal Reserve, no qual surgiu essa bolha hipotecária e financeira, Alan Greenspan tinha muitos instrumentos ao seu alcance para freá-la, mas não conseguiu fazer isso.Afinal de contas, Ronald Reagan escolheu-o por sua atitude contrária à regulação. Ele substituiu a Paul Volcker no Federal Reserve, conhecido por manter a inflação sob controle. O governo Reagan não acreditava que ele fosse um “liberalizador” adequado. Por conseguinte, nosso país sofreu os efeitos de escolher como regulador supremo da economia a alguém que não acreditava na regulação. De modo que, para corrigir o problema, a primeira coisa que precisamos é de líderes políticos e responsáveis que acreditem no papel da regulação. Além disso, precisamos estabelecer um sistema novo, capaz de suportar a expansão das finanças e dos instrumentos financeiros de um modo melhor que os bancos tradicionais.Precisamos, por exemplo, regulamentar os incentivos. Eles têm que ser pagos baseando-se nos resultados de vários anos, e não no de apenas um, porque este último modelo fomenta as apostas. As opções de compra de ações fomentam a adulteração da contabilidade e é preciso frear essa prática. Em resumo, oferecemos incentivos para que se alimentasse um mau comportamento no sistema.Além de freios, precisamos de faixas de controle. Historicamente, todas as crises têm estado associadas a uma expansão muito rápida de determinados tipos de ativos. Se conseguimos frear esse processo, podemos impedir que as bolhas cresçam de modo descontrolado. O mundo não desapareceria se as hipotecas crescessem 10% e não 25% anualmente. Conhecemos tão bem o patrão que deveríamos fazer algo para dominá-lo. Precisamos ainda de uma comissão de segurança para os produtos financeiros, assim como temos no caso dos produtos de consumo. O setor financeiro estava inventando produtos que não geriam o risco, mas sim o produziam.Certamente, acredito na necessidade de uma maior transparência. No entanto, desde o ponto de vista dos critérios reguladores, esses produtos eram transparentes em um sentido técnico. Mas eram tão complexos que ninguém os entendia. Mesmo que fossem tornadas públicas todas as cláusulas destes contratos, elas não trariam a nenhum mortal alguma informação útil sobre seu risco. Muita informação equivale a nenhuma informação. Neste sentido, aqueles que pedem mais revelações como solução para o problema não entendem a informação. Se alguém compra um produto, necessita de uma informação simples e básica: qual é o risco. Essa é a questão.Os ativos hipotecários que provocaram o caos estão em mãos de bancos ou fundos soberanos da China, Japão, Europa e países do Golfo.


Como essa crise os afetará?

Stiglitz – É certo. As perdas das instituições financeiras européias com as hipotecas subprime foram maiores do que as verificadas nos Estados Unidos. O fato de os EUA terem diversificado esses ativos hipotecários por todo o mundo, graças à globalização dos mercados, suavizou o impacto interno. Se não tivéssemos disseminado o risco por todo o mundo, a crise seria muito pior. Uma coisa que agora se entende, a conseqüência dessa crise, é a informação assimétrica da globalização. Na Europa, por exemplo, não se sabia muito bem que as hipotecas norte-americanas são hipotecas sem lastro: se o valor da casa baixa mais que o da hipoteca, pode-se devolver a chave ao banco e ir embora. Na Europa, a casa serve de garantia, mas o tomador do empréstimo segue endividado, aconteça o que aconteça. Este é um dos perigos da globalização: o conhecimento é local, sabe-se muito mais sobre sua própria sociedade do que sobre as outras.


Qual é então, em última análise, o impacto do naufrágio de Wall Street na globalização regida pelo mercado?

Stiglitz - O programa da globalização esteve estreitamente ligado aos fundamentalistas do mercado: a ideologia dos mercados livres e da liberalização financeira. Nesta crise, observamos que as instituições mais baseadas no mercado da economia mais baseada no mercado vieram abaixo e correram a pedir a ajuda do Estado. Todo mundo dirá agora que este é o final do fundamentalismo de mercado. Neste sentido, a crise de Wall Street é para o fundamentalismo de mercado o que a queda do Muro de Berlim foi para o comunismo: ela diz ao mundo que este modo de organização econômica é insustentável. Em resumo, dizem todos, esse modelo não funciona. Este momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas.A hipocrisia entre o modo pelo qual o Tesouro dos EUA, o FMI e o Banco Mundial manejaram a crise asiática de 1997 e o modo como procedem agora acentuou essa reação intelectual. Agora os asiáticos dizem: “Um momento, para nós, vocês disseram que deveríamos imitar o modelo dos Estados Unidos. Se tivéssemos seguido vosso exemplo, agora estaríamos nesta mesma desordem. Vocês, talvez, possam se permitir isso. Nós, não”.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A DIFERENÇA DE UMA VÍRGULA

Estou participando de um curso de atualização em língua portuguesa com um professor que é fora de série: João Bolognesi. Coloque uma vírgula nesta frase e veja a importância desse minúsculo símbolo.


"Se o homem soubesse o valor que tem uma mulher andaria de quatro a sua procura".


Obs: Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de mulher.
Se você for homem, certamente colocou a vírgula depois de tem.

DISCURSO DE LULA NA ONU

Mais uma peça histórica do nosso presidente. Segue abaixo a íntegra de seu discurso na abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas. Fico a pensar na inveja de um conhecido ex-presidente.

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do debate geral da 63ª Assembléia Geral das Nações UnidasNova Iorque - EUA, 23 de setembro de 2008

Senhores e senhoras chefes de Estado e de Governo,Senhor Miguel d’Escoto, presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas,Senhor Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas,Senhoras e senhores chefes de Delegação,Saúdo, com alegria, o presidente da Assembléia Geral, meu ilustre amigo Miguel d’Escoto. Desejo-lhe pleno êxito em sua missão. Esta Assembléia realiza-se em um momento particularmente grave.
A crise financeira, cujos presságios vinham se avolumando, é hoje uma dura realidade. A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial. As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas.A ausência de regras favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores. É inadmissível, dizia o grande economista brasileiro Celso Furtado, que os lucros dos especuladores sejam sempre privatizados e suas perdas, invariavelmente socializadas. O ônus da cobiça desenfreada de alguns não pode recair impunemente sobre os ombros de todos. A economia é séria demais para ficar nas mãos dos especuladores. A ética deve valer também na economia. Uma crise de tais proporções não será superada com medidas paliativas. São necessários mecanismos de prevenção e controle, e total transparência das atividades financeiras.Os organismos econômicos supranacionais carecem de autoridade e de instrumentos práticos para coibir a anarquia especulativa. Devemos reconstruí-los em bases completamente novas. Dado o caráter global da crise, as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições. Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós.Há outras questões igualmente graves no mundo de hoje. É o caso da crise alimentar, que ameaça mais de um bilhão de seres humanos; da crise energética, que se aprofunda a cada dia; dos riscos para o comércio mundial, se não chegarmos a um acordo na Rodada de Doha; e da avassaladora degradação ambiental, que está na origem de tantas calamidades naturais, golpeando sobretudo os mais pobres.

Senhor Presidente, Senhoras e senhores, O Muro de Berlim caiu. Sua queda foi entendida como a possibilidade de construir um mundo de paz, livre dos estigmas da Guerra Fria. Mas é triste constatar que outros muros foram se construindo, e com enorme velocidade. Muitos dos que pregam a livre circulação de mercadorias e capitais são os mesmos que impedem a livre circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas, e até fascistas, que nos fazem evocar, temerosos, tempos que pensávamos superados. Um suposto “nacionalismo populista”, que alguns pretendem identificar e criticar no Sul do mundo, é praticado sem constrangimento em países ricos. As crises financeira, alimentar, energética, ambiental e migratória, para não falar das ameaças à paz em tantas regiões, demonstram que o sistema multilateral deve se adequar aos desafios do século XXI. Aos poucos vai sendo descartado o velho alinhamento conformista dos países do Sul aos centros tradicionais.Essa nova atitude não conduz, no entanto, a uma postura de confrontação. Simplesmente pelo diálogo direto, sem intermediação das grandes potências, os países em desenvolvimento têm-se credenciado a cumprir um novo papel no desenho de um mundo multipolar. Basta citar iniciativas como o IBAS, o G-20, as cúpulas América do Sul-África ou América do Sul-Países Árabes e a articulação dos BRICs.Está em curso a construção de uma nova geografia política, econômica e comercial no mundo. No passado, os navegantes miravam a estrela polar para “encontrar o Norte”, como se dizia. Hoje estamos procurando as soluções de nossos problemas contemplando as múltiplas dimensões de nosso Planeta. Nosso “norte” às vezes está no Sul.Em meu continente, a Unasul, criada em maio deste ano, é o primeiro tratado – em 200 anos de vida independente – que congrega todos os países sul-americanos. Com essa nova união política vamos articular os países da região em termos de infra-estrutura, energia, políticas sociais, complementaridade produtiva, finanças e defesa.Reunidos em Santiago do Chile há pouco mais de uma semana os presidentes da América do Sul, comprovamos a capacidade de resposta rápida e eficaz da Unasul frente a situações complexas, como a que vive a nação-irmã boliviana. Respaldamos seu governo legitimamente eleito, suas instituições democráticas e sua integridade territorial e fizemos um apelo ao diálogo como caminho para a paz e a prosperidade do povo boliviano.Em dezembro, o Brasil irá sediar, na Bahia, uma inédita cúpula de toda a América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento. Será uma reunião de alto nível, sem qualquer tutela, assentada em uma perspectiva própria latino-americana e caribenha.Todos esses esforços no plano multilateral são complementados por meio de ações de solidariedade de meu país para com nações mais pobres, especialmente na África. Quero também enfatizar nosso compromisso com o Haiti, país em que exercemos o comando das tropas da Minustah e ajudamos a restabelecer a paz. Renovo meu chamamento à solidariedade dos países desenvolvidos com o Haiti, muito prometida e pouco cumprida.

Senhor Presidente,A força dos valores deve prevalecer sobre o valor da força. É preciso que haja instrumentos legítimos e eficazes de garantia da segurança coletiva. As Nações Unidas discutem há quinze anos a reforma do Conselho de Segurança. A estrutura vigente, congelada há seis décadas, responde cada vez menos aos desafios do mundo contemporâneo. Sua representação distorcida é um obstáculo ao mundo multilateral que todos nós almejamos. Considero, nesse sentido, muito auspiciosa a decisão da Assembléia Geral de iniciar prontamente negociações relativas à reforma do Conselho de Segurança. O multilateralismo deve guiar-nos também na solução dos complexos problemas ligados ao aquecimento global, com base no princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas. O Brasil não tem fugido a suas responsabilidades. Nossa matriz energética é crescentemente limpa. As crises alimentar e energética estão profundamente entrelaçadas. Na inflação dos alimentos estão presentes – ao lado de fatores climáticos e da especulação com as commodities agrícolas – os aumentos consideráveis do petróleo, que incidem pesadamente sobre o custo de fertilizantes e transporte.A tentativa de associar a alta dos alimentos à difusão dos biocombustíveis não resiste à análise objetiva da realidade. A experiência brasileira comprova – o que poderá valer também para outros países com características semelhantes – que o etanol de cana-de-açúcar e a produção de biodiesel diminuem a dependência de combustíveis fósseis, criam empregos, regeneram terras deterioradas e são plenamente compatíveis com a expansão da produção de alimentos. Queremos aprofundar esse debate, em todos os seus aspectos, na Conferência Mundial sobre biocombustíveis que convocamos para novembro, na cidade de São Paulo.Minha obsessão com o problema da fome explica o empenho que tenho tido, junto a outros líderes mundiais, para chegar a uma conclusão positiva da Rodada de Doha. Continuamos insistindo em um acordo que reduza os escandalosos subsídios agrícolas dos países ricos. O êxito da Rodada de Doha terá impacto muito positivo na produção de alimentos, sobretudo nos países pobres e em desenvolvimento.

Senhor Presidente,Há quatro anos, junto com vários líderes mundiais, lancei aqui em Nova Iorque a Ação contra a Fome e a Pobreza. Nossa proposta era, e continua sendo, a de adotar mecanismos inovadores de financiamento. A Unitaid, Central de Compra de Medicamentos, é um primeiro resultado dessa iniciativa, ajudando a combater Aids, tuberculose e malária em vários países da África. Mas não basta. Precisamos avançar, e muito, se queremos que a Humanidade cumpra efetivamente as Metas do Milênio. Em dezembro serão comemorados os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que não pode ser objeto de uma homenagem meramente protocolar. Ela traduz compromissos inalienáveis, que nos interpelam a todos. Como governantes, mais do que a defesa retórica da Declaração, somos chamados a lutar para que os valores proclamados há seis décadas se transformem em realidade em cada país e em todo o mundo. Senhor Presidente,O Brasil de hoje é muito distinto daquele de 2003, ano em que assumi a Presidência do meu país e em que, pela primeira vez, compareci a esta Assembléia Geral. Governo e sociedade deram passos decisivos para transformar a vida dos brasileiros. Criamos quase 10 milhões de empregos formais. Distribuímos renda e riqueza. Melhoramos os serviços públicos.Tiramos 9 milhões de pessoas da miséria e outras 20 milhões ascenderam à classe média. Tudo isso em um ambiente de forte crescimento, estabilidade econômica, redução da vulnerabilidade externa e, o que é mais importante, fortalecimento da democracia, com intensa participação popular.No ano em que celebramos o centenário do grande brasileiro Josué de Castro, o primeiro diretor-geral da FAO e um dos pioneiros da reflexão sobre o problema da fome no mundo, vale a pena recordar sua advertência: “Não é mais possível deixar-se impunemente uma região sofrendo de fome, sem que o mundo inteiro venha a sofrer as suas conseqüências.” Tenho orgulho de dizer que o Brasil está vencendo a fome e a pobreza.

Senhor Presidente,Reitero o otimismo que expressei aqui há cinco anos. Somos muito maiores do que as crises que nos ameaçam. Dispomos de sentimento, razão e vontade para vencer qualquer adversidade. Esse, mais do que nunca, é o espírito dos brasileiros.

Muito obrigado.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Um pensamento para reflexões.

” Eu declaro que, se algum grande Poder concordasse em me fazer sempre pensar o que é verdadeiro e fazer o que é moralmente certo, sob a condição de ser reduzido a alguma espécie de relógio que recebe corda todas as manhãs ao sair da cama, eu aceitaria instantaneamente a proposta. A única liberdade que me importa é a liberdade de fazer o que é certo, a liberdade de fazer o que é errado, estou pronto a dispensar nos termos mais baratos, para qualquer um que a leve de mim.” ( T.H. Huxley -m1870 )

Um candidato realmente sem recursos


Veja a declaração de candidato realmente sem recursos nestas eleições.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

É complicado namorar até juíza.

Juíza apaixonada grampeia telefone de ex-namorado


Uma Juíza apaixonada e ressentida adotou uma atitude nada comum. Mandou grampear o telefone do seu ex-namorado, um advogado de Cananéia, no litoral paulista, onde ela julgava e ele morava. Não satisfeita e, provavelmente, movida pelo desejo de vingança, logo depois condenou e mandou para a cadeia o pai do ex-namorado.
O nome da ciumenta de plantão é Carmen Silvia de Paula Camargo. Seu comportamento insólito gerou uma grande confusão na sessão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) que tratou da promoção de Juízes em todo o Estado. Seu nome estava na lista de promoções.

Dotada de poder e de grande paixão, a Juíza, primeiro, mandou grampear o telefone do ex-namorado. Segundo o Des. Elias Tâmbara, corregedor de Justiça na época, a companhia telefônica forneceu o grampo por 15 dias e, ao perceber que as coisas não se encaixavam num enquadramento mais jurídico, procurou a corregedoria para comunicar a ocorrência. “O ato de uma Juíza que estava querendo vigiar a distância o namorado é incompatível com a atividade da Magistratura”, desabafou Tâmbara na sessão do Órgão Especial que analisou sua promoção.
Não satisfeita em vigiar o ex-namorado, a Juíza tentou vingar-se no ex-futuro sogro. Além de condenar o pai de seu ex-amor por porte ilegal de arma, impediu que ele recorresse da sentença em liberdade. A boa norma judicial ensina que, num caso assim, a Juíza sequer poderia cuidar do caso. “Ela deveria se dar por impedida e não conduzir o processo”, avalia Tâmbara. Por isso a Juíza responde a uma sindicância administrativa.

Responde a uma outra sindicância, acusada de indicar o nome de um advogado para defender dois rapazes de Campinas que foram presos em flagrante, em Cananéia, por porte de droga.
“Além destes episódios, a Juíza respondia também por embriaguez e assédio sexual”, alertou o vice-presidente do TJSP, Des. Canguçu de Almeida. Com uma ficha como essa, a proposta de promoção da Juíza só poderia dar em uma grande confusão. Foi o que aconteceu na reunião do Órgão Especial, que acabou tornando pública sua história de amor e decisões desatinadas.
Procurada pela reportagem em seu local de trabalho, a Juíza não foi encontrada.

A Procuradora de Justiça de São Paulo, Luiza Nagib Eluf, autora do livro A paixão no banco dos réus, é uma especialista em questões que envolvem paixão e Justiça. Para ela, a paixão explica, mas não justifica, desvios de conduta ou crimes. Mas, no caso presente, ela considera mais grave a confusão que se faz entre o público e o privado, muito comum no Brasil e muito prejudicial à sociedade. “A pessoa tem de saber separar o privado e o público, principalmente pessoas que detêm poder e o exercem em nome do povo”, diz ela.

Para o advogado tributarista Raul Haidar, a história da Juíza mostra que “o amor é mais cego que a Justiça”. O criminalista José Roberto Batochio também é compreensivo com as razões do coração, mas se preocupa com as questões da Justiça. “Nada de insólito no amor, e mesmo na paixão, ambos inseparáveis da contingência humana. O preocupante é a possibilidade – no caso, apenas teórica, já que não se conhecem as provas – de a jurisdição ser posta a serviço desses sentimentos, mais exatamente de suas inferiores decorrências.”

Batochio se preocupa igualmente com o uso indiscriminado da escuta telefônica. “Outra vez os famigerados e perigosos grampos como instrumento; praga da contemporaneidade! Telefonia houvesse em Veneza daqueles tempos e Yago teria induzido Otelo a grampear Desdemona, estejam certos…” Shirlei Horta, uma leitora da coluna Política & Cia. do jornalista Ricardo Setti no site Nomínimo, fez um comentário que também remete mais a Shakespeare do que aos códigos jurídicos: “Se ela faz isso por amor, imaginem o que fará por ódio!”

O também criminalista Arnaldo Malheiros Filho mostra igual preocupação com o uso indevido e abusivo da escuta telefônica: “A expedição de ordens judiciais de grampo telefônico virou um festival. É raro ver pedido de interceptação indeferido. O prazo máximo legal não pegou e a exigência constitucional de fundamentação das decisões está, nessa matéria, com vigência suspensa pelos usos e costumes de muitas Cortes. Este é apenas um dos muitos abusos que se tem visto ultimamente.”

Fonte: Maurício Cardoso – Consultor Jurídico

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A JUSTIÇA E A LEI SECA

Este está indo na contramão da sociedade. Não obstante a dimunuição dos acidentes de trânsito e a legalidade da nova legislação veja o ocorrido abaixo.

Juiz: cerveja é “paixão do brasileiro”
10 de Setembro de 2008 Publicado por Imprensa
Com o argumento de que beber cerveja é “uma paixão do brasileiro” e se dizendo contra a punição de quem bebe socialmente “algumas cervejas com amigos”, o Juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 1.ª Vara Criminal de Aparecida de Goiânia (GO), mandou soltar, em 4 de setembro, o motociclista Genivaldo de Almeida, preso há 15 dias, após ser reprovado no teste de bafômetro e ser pego infringindo o art. 306 da Lei n. 11.705/2008, a Lei Seca.
Para libertar Almeida, mandar restituir a moto apreendida, devolver a carteira de motorista e anular a multa, o Juiz considerou o art. 306 inconstitucional e a Lei Seca punitiva: “Não sou desfavorável à repressão de quem dirige embriagado e causa acidentes, mas sou contra a punição de quem bebeu socialmente algumas cervejas com amigos e sofre as punições apontadas na Lei Seca”, disse o Juiz, no processo.
“Para algo que não é tão grave, digamos que até padre ao celebrar uma missa e tomar um cálice de vinho pode ser vítima dessa situação”, ressaltou. O art. 306 da Lei Seca dispõe sobre a concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 decigramas.
Genivaldo foi preso às 21h00 do dia 21 de agosto pela Polícia Militar (PM), “quando ziguezagueava com sua moto” pelas ruas da cidade, segundo testemunho dos PMs. Após ser reprovado no teste do bafômetro, e por não ter dinheiro para pagar a fiança (R$ 361,00), Genivaldo ficou preso e à disposição da Justiça de Goiás.
Para o Juiz, é preciso separar as coisas. Nem o indivíduo que dirige bêbado pode ser punido da mesma forma que aqueles que ingerem uma ou duas cervejas, nem a Lei Seca deveria manter o texto atual: “A Lei Seca precisa sofrer sérias alterações e deve tratar diferentemente situações diversas”, disse o Juiz. “Não se pode punir de forma tão severa quem simplesmente faz uso de uma latinha de cerveja, ou seja, na mesma proporção de quem se encontra absolutamente embriagado”, criticou.
Também argumenta que, apesar de o brasileiro gostar de cerveja, “nem todos podem ser classificados de alcoólatras ou criminosos”. Considerou, em seu despacho, que a bebida é um “elo para resolução de pendências e negócios diversos”. E, além de fomentar a economia, a cerveja é uma “paixão do brasileiro, assim como o futebol”.
“Tal como uma refeição qualquer, não podemos ignorar que famílias tomem cervejas, favorecendo a economia em todas as ordens. Ir a um bar e não beber é o mesmo que comer sem feijão ou dormir sem tomar banho. O número de acidentes realmente diminuiu, mas qual prejuízo a lei realmente trouxe ao casal cerveja e futebol? Não há dúvida de que para a economia houve um retrocesso, não só para as cervejarias, mas para o comércio em geral, isso em troca de algumas almas que em tese momentaneamente foram salvas de acidentes”, afirmou o Juiz, no processo.
Para o Juiz, ocorreram falhas também na prisão. É que, após abordarem o motociclista, os PMs ficaram com o preso por mais de quatro horas, “fazendo o quê, não se sabe”, disse o Juiz, na sentença.
Rubens dos SantosFonte: O Estado de S.Paulo

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

MELHORES SLOGANS DESTA ELEIÇÃO


9 Melhores Slogans da Campanha Eleitoral 2008


9º lugar - Guilherme Bouças, com o slogan:'Chega de malas, vote em Bouças.


8º lugar - Grito de guerra do candidato Lingüiça, lá de Cotia (SP).'Lingüiça Neles!'


7º lugar - Em Descalvado (AL), tem um candidata chamada Dinha cujo slogan é:'Tudo Pela Dinha.'


6º lugar - Em Carmo do Rio Claro, tem um candidato chamado Gê.'Não vote em A, nem em B, nem em C; na hora H, vote em Gê.'


5º lugar - Em Hidrolândia (GO), tem um candidato chamado Pé.'Não vote sentado, vote em Pé.'


4º lugar - E em Piraí do Sul tem um gay chamado Lady Zu.'Aquele que dá o que promete.'


3º lugar - A cearense chamada Debora Soft, stripper e estrela de show de sexo explícito. Slogan: 'Vote com prazer!'


2º lugar - Candidato a prefeito de Aracati (CE):'Com a minha fé e as fezes de vocês, vou ganhar a eleição.'


1º lugar - Em Mogi das Cruzes (SP), tem um candidato chamado Defunto:'Vote em Defunto, porque político bom é político morto!'


Mandem mais alguns que vocês conheçam. A foto é da vereadora de Fortaleza Débora Soft, colocada em terceiro lugar nesta lista.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Mais uma brincadeira devido a Lei Seca.


A Lei tá mais que aprovada pelo percentual expressivo na redução de acidentes. Veja mais esta gozação sobre o fato.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

RONDA DO QUARTEIRÃO

Pude perceber estes dias o alcance do Programa "Ronda do Quarteirão". Na casa de minha irmã no domingo acabaram por descuido no portão eletrônico deixando-o aberto a noite. Qual não foi minha surpresa, quando de madrugada fui acordado pelos policiais do Ronda, que tinham vindo atender uma chamada para se verificar possível assalto. Para sorte nossa não havia nada, apenas um descuido mas tive a certeza de que o programa realmente tá funcionando. O autor do chamado foi o vizinho que ficou preocupado em ver o portão aberto e segundo ele foi rapidíssimo o atendimento. Policiais bem educados e seguindo os padrões de segurança atenderam a chamada. Fiquei feliz em saber que está funcionando o programa. Ao comentar o fato recebi um comentário de um amigo dizendo que é melhor ligar para o Ronda do que mesmo para o 190 devido a rapidez de seu atendimento. Aqui no bairro Cidade 2000 é visível o clima de mais segurança demonstrado pelas pessoas. Um gol de placa do Governo Cid, aliás um belo salto.

Obs: falta ampliar agora para o nosso interior e melhorar a estrutura da Polícia Civil.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

EXEMPLOS DE SUPERAÇÃO


Normalmente ao assistirmos um jornal nos vemos diante de fatos negativos e de péssimos exemplos para nossos filhos. Crimes, vida de "celebridades", vulgaridades são o principal prato dos meios de comunicação. Sei que se deve mostrar o que acontece em nossa sociedade mas existe muita coisa boa, muitos bons exemplos que raramente são divulgados e mostrados. É preciso muita dedicação ou feitos heróicos para conseguir que sejam mostrados. Em nosso dia a dia há inúmeras pessoas que deveriam ser apresentadas pelo que fazem, pelo que representam. No entanto fala-se mais de um ex-big brother, do novo namorado de uma artista, de um crime bárbaro que tá chocando a sociedade. Como se tudo se resumisse a isto, o que não é verdade.


Existem tantas mulheres e tantos homens que quando a gente os vê dizemos: "ali vai um exemplo de vida, ali vai um exemplo para nossos filhos". Por que não se divulgar pois é através do bom exemplo que podemos também mudar nosso mundo.


Falo isto diante da trajetória de uma atleta que é um exemplo de dedicação e de superação. Falo de alguém que conheço apenas como vocês pelos meios de comunicação. Mas que mesmo longe, diante do dia de hoje, nos deixa emocionados. Pelo amor à família, pela superação, pela alegria que nos deu. E como foram poucas nestas olimpíadas. Falo de Maurren Maggi. Com esta medalha conquistada ela virou uma celebridade mas já o era antes, independente de se conseguir o ouro. Com mais idade ela resolveu enfrentar novamente o desafio de voltar a competir. Separada, com filha, com muito mais dificuldade ela deu a volta por cima. Hoje é uma unanimidade mas já era um exemplo para nossa geração e nossos filhos. É possível, apesar de todas as dificuldades acreditar nos sonhos e proceder a uma mudança e transformação. Seu sorriso nos alegrou. Nossos parabéns. Entrou para a nossa história.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

NOVA VINDA DE LULA


Mais uma vez o presidente Lula visita Quixadá. Desta vez para entregar a Usina de Biodiesel. Como fui um que contribuiu e que viu este sonho transformar-se em realidade senti-me emocionado. Daquela área vi surgir esta indústria que é uma das mais modernas do mundo na área de biocombustíveis. Para todo quixadaense é motivo de orgulho ver este empreendimento sair do papel e modificar a paisagem do sertão, bem como sua realidade econômica. Vamos torcer e fazer força que este projeto do biodiesel venha realmente a se constituir num sucesso. Para o bem da ecologia, do nosso povo que terá mais renda, da qualidade de vida das pessoas em geral.

A solenidade foi bastante prestigiada, vários ministros, vários presidenciáveis (Dilma, Haddad, Ciro), deputados federais, estaduais e naturalmente o Presidente Lula. Falou com a oratória rica de detalhes, sentimentos e brincadeiras. Fez rir e chorar. Novamente o povo gostou.

O prefeito, com razão muito feliz, saudou os presentes e falou das conquistas de Quixadá. Terminou dando vivas ao poder do povo pobre. Mais uma influência bolivariana no discurso. Não estive com ele, estamos afastados politicamente por motivos óbvios, mas ele merecia comemorar este dia pelo seu empenho nesta conquista.

O Governador Cid reafirmou seu compromisso com o projeto de biodiesel, anunciando a continuidade do subsídio para os produtores. Foi uma decisão importante. Antes mesmo de assumir o governo, ele comandou duas importantes reuniões sobre o tema com as universidades, Petrobrás, empresas privadas, pesquisadores, MDA, secretarias estaduais e entre muitos outros ali eu estava, representando a Prefeitura pois estava como Prefeito interino. Dá gosto ver gente com compromisso real com a administração pública.

Revi amigos de sempre. Tirei muitas fotos. Fui muito cumprimentado. Depois da solenidade comi um delicioso carneiro com alguns companheiros e voltei a Fortaleza, cansado e feliz.

A foto é do momento em que é explicado ao Presidente o processo a ser utilizado na usina. O expositor é o sr. Almeida, também proprietário do hotel Pedra dos Ventos.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

"A LIBERDADE É ALGO QUE SÓ VOCÊ PODE CONSEGUIR"


Esta frase é do personagem José Dolores no filme "Queimada", que retrata a revolução que acontece em uma ilha da América Central. O filme com uma abordagem excepcional para qualquer historiador e para os amantes de uma boa película tem Marlon Brando em um dos seus papéis mais marcantes. Demonstra como aconteceu a maior parte dos movimentos emancipatórios na América Latina e no resto do mundo. A dominação passava das mãos da Corte Portuguesa ou Espanhola para passar das mãos da recente burguesia existente nesses países que proclamavam sua independência. É um filme que mostra a crueldade como foram reprimidas as manifestações populares que buscavam uma mudança real para aqueles países. Eduardo Galeano demonstra muito claramente em seu famoso livro "As veias abertas da América Latina" como se deu a expropriação na América. E o filme mostra não uma ficção mas algo que aconteceu em praticamente todos os os países que foram colônias européias. A força do capital se sobrepujando aos ideias de liberdade. Uma aula de cinema e realidade do diretor Gilio Pontecorvo, recentemente falecido. Um filme para ver e rever.

DESEMPENHO BRASIL OLIMPÍADA


Nesta olimpíada como sempre temos torcido bastante mas nossas alegrias tem sido raras. Com as exceções do futebol e vôlei, nosso desempenho tem sido sofrível. Nem mesmo o fato de termos levado a maior delegação de nossa história parece ter trazido resultados positivos. Quando não nem nos classificamos para as finais de cada esporte, ao conseguirmos este intento decepcionamos com um desempenho abaixo do esperado. Foi assim com alguns atletas do atletismo e da ginástica. O basquete feminino em suas partidas não acreditava que podia superar suas adversárias. Quando resolveu acreditar foi tarde demais.

Um fator a considerar é que temos tão poucos atletas com chances que quando algum chega à final, carrega uma responsabilidade enorme e isto acaba prejudicando seu desempenho. Acho que inclusive foi o caso do ginasta Diego Hipólito.

Sabemos que falta muito investimento na área esportiva para chegarmos a um melhor desempenho. Precisamos do esporte presente na educação. Precisamos trabalhar o esporte de rendimento. Precisamos de melhor organização em nossas competições. Quem é melhor organizado consegue melhor resultado. Veja os exemplos do futebol e do volei.

Vamos neste final de olimpíada torcer que o futebol, volei e as duplas de volei de praia nos deêm algumas alegria para relembrar. O ouro do Cielo não pode ficar sozinho.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

"Dia branco"


Fui conferir ao show do Geraldo Azevedo em Fortaleza no Náutico. Mesmo ainda não sendo advogado consegui os convites na OAB. O show era em homenagem ao dia do advogado. Apesar da correta "Lei Seca" que me impediu de tomar qualquer bebida, só refrigerante, adorei o show. Encontrei alguns conterrâneos, quixadaense tá em todo lugar mesmo, e assim juntos, pudemos desfrutar de um repertório de velhos sucessos deste cantor que se esmerou em realizar uma bela exibição. Nem mesmo a chuva que caiu espantou o público. Muitos cantavam juntamente com Geraldo suas músicas. Como sempre digo nos momentos de felicidade. Foi bom demais.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

FUTSAL DE QUIXADÁ


Quem não se lembra dos grandes jogos de futsal realizados em Quixadá ? Das disputas entre Autolatina e Grasa, de Balneário e AAbb ou Avante ? Tivemos toda uma geração que praticava futsal e que acabou produzindo grandes jogadores que nos levaram aos memoráveis títulos de 1985 e 1989 do Intermunicipal. Jogadores como Blasco, Totô, Etinho, Tim, entre tantos outros nos deram muitos títulos e alegrias. A quadra do estadual, do balneário, da aabb e o próprio ginásio coberto ficavam repletos de torcedores para acompanhar os jogos das copas e da seleção. Foi um período saudoso. Tive o privilégio de comandar como dirigente algumas dessas seleções em intermunicipais e de organizar inúmeras competições como secretário de esportes (1993-1996). Fazia com gosto pois sempre tive uma paixão pela atividade esportiva e especialmente pelo futsal. Ainda me recordo da final de 94 em Aquiraz quando desbancamos famosas equipes e acabamos traidos pelo destino nos últimos segundos da final.
Essas recordações são memoráveis mas nos fazem colocar um ponto de interrogação: o que levou a desmotivação dessa atividade em Quixadá ?
Acho que o abandono do poder público ao setor vem de certo tempo. Desde 1997 que não tivemos grandes competições ou representações do município bem organizadas. Faltou um calendário mais efetivo de atividades. Faltou decisão política.
Estive em Mombaça para acompanhar mais um intermunicipal. Com as regras atuais em que só se joga pela cidade os atletas nascidos ou que votem há certo tempo naquele município, caso tivéssemos um planejamento mínimo ganharíamos praticamente todos os anos esta competição. Não precisaríamos de viver do passado. Tinha muitos planos caso chegasse a ser eleito prefeito de nosso município. Vamos esperar que o futuro gestor tenha sensibilidade para o esporte. Pelo que conhecemos dos candidatos, você acredita ?

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

FOTOS PARQUE DO COCÓ





Estas fotos retratam a beleza da natureza encravada bem no meio de uma cidade que trata tão mal seus tesouros. São pequenos seres do mundo animal e vegetal que sobrevivem em um pequeno oásis de Fortaleza. Quem nos dera nossos governantes tivessem mais compromissos com a ecologia.
Precisa-se de menos asfalto, mais verde.
A população também podia exigir dos futuros governantes das cidades brasileiras um compromisso firmado com a adoção de medidas eficazes em prol da natureza.
obs: fotos Nayana Goes

segunda-feira, 28 de julho de 2008

UM FILME INTERESSANTE


Assisti ao bom filme Conduta de Risco com o ator George Clooney, que tem se dedicado a películas com cunho político. A trama se baseia na vida de um advogado renomado que defende uma grande empresa de fertilizantes que enfrenta uma ação de indenização por conta de mortes que teriam acontecido pelo uso de seus produtos. A causa já passava dos seis anos de tramitação e de repente o advogado muda de lado ao descobrir documentos que incriminariam seu cliente. O filme aborda o conflito moral e ético por que passam seus principais personagens que vêem suas vidas estarem desprovidas de sentido e a serviço de interesses escusos. Recomendo o aluguel do filme, principalmente para quem tem um gosto mais apurado e ainda se revolta com as injustiças do mundo.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

O ARCO DE QUIXADÁ...


O Arco de Nossa Senhora de Fátima é um dos mais importantes pontos turísticos da cidade de Sobral, na zona norte do estado. O Arco foi projetado por Falb Rangel e executado por Francisco Frutuoso do Vale, autor da imagem de Nossa Senhora exposta no local. A obra é tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
Construído em 1953 (há 54 anos, portanto), o Arco (imita o do Triunfo, na França), foi uma iniciativa de Dom José Tupinambá da Frota. No local, no século XVIII, existia o Cruzeiro ou Cruz das Almas, erguido pelo Frei Vidal da Penha e demolido em 1929. O motivo da construção foi a visita da imagem de Nossa Senhora de Fátima que visitou o Brasil e em muitas cidades foram construídos "Arcos" em sua homenagem. Na foto ao lado vocês podem ter uma idéia de sua beleza.

Estive em Caicó (RN) para visitar um amigo do Banco do Brasil, com o qual tinha atuado diversas vezes como instrutor em cursos. Para minha surpresa, além de me deliciar com a famosa carne de sol, pude conhecer o Arco que se situa em uma praça central da cidade, também construído com propósito de homenagear a visita da imagem de Nossa Senhora.

Muito embora seja dificil encontrarmos documentos e até mesmo fotos que falem da história do Arco que existia em nossa cidade, não é dificil encontrarmos nas memórias dos mais idosos a lembrança deste importante ícone. Situava-se onde hoje está a praça José Linhares da Páscoa, a chamada "praça da catedral". Sua construção aconteceu na gestão do Prefeito Hermínio Dinnelly no ano de 1953. Não sei por que motivos tivemos sua demolição. Sei apenas que foi mais um crime contra a nossa história, assim como foi também a destruição do belíssimo prédio da prefeitura efetuada pelo então prefeito José Okka Baquit, com a conivência da Câmara Municipal. Ressalvas à oposição feita pelo vereador Chico Éneas, que foi único a se opor ao crime perpetrado.

Quero colocar que estava nos meus planos, caso tivesse podido me candidatar e com uma eventual vitória nas eleições, a reconstrução deste marco de nossa história destruído pelos analfabetos de valores culturais e históricos. Seria interessante cobrar dos atuais candidatos o compromisso com sua construção.

terça-feira, 15 de julho de 2008

E o judiciário, aliás o STF ?



Estes fatos acontecidos após a operação da Polícia Federal fazem primeiro nos encher de orgulho de termos um polícia republicana. Uma polícia que investiga competentemente e leva para a cadeia criminosos de colarinho branco, que achavam que a impunidade em nosso país estava garantida. Ver Daniel Dantas e sua quadrilha, que envolve o famoso "Naji Nahas", Celso Pitta e outros aloprados presos, já é um consolo para nós pobres mortais, só acostumados a ver algemados ladrões de galinha. Muito embora nossa alegria tenha durado pouco.


Agora é de lamentar ver um senador da república, líder do PSDB, defender estes marginais. Mais lamentável ainda ver que jornalistas famosos recebiam também propina para não divulgar informações sobre Daniel Dantas (veja o caso de Miriam Leitão). Outro lamento ver que o ex-deputado Greenhalgh se presta ao serviço de defender Daniel Dantas. E mais o presidente do STF solta duas vezes este marginal para que ele possa continuar a corromper, demonstrando seu entendimento para fazer "justiça" em nosso Brasil.


Parabenizo a PF, o bravo juiz Fausto de Sanctis que emitiu a ordem de prisão para estes bandidos, o ministro Tarso Genro, os procuradores e juizes federais solidários contra a nefasta atuação de Gilmar Mendes.


Veja ao lado a foto deste exemplo para o Brasil, que é o mesmo juiz que decretou a venda dos bens do narcotraficante Abadia.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

A ETERNA GOZAÇÃO DOS BRASILEIROS


A chamada "Lei Seca" tem sido palco de todos os debates em casa, no trabalho, na mesa do bar. É uma lei que exige uma mudança cultural. É óbvio que ela vem para melhorar nossa sociedade. Isto já está demonstrado nas poucas estatísticas divulgadas. Agora o brasileiro é por sua natureza um curtidor. Veja a foto ao lado que traduz este espírito divertido de nosso povo.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

UMA HOMENAGEM MERECIDA



"Somos o que fazemos, mas somos, principalmente, o que fazemos para mudar o que somos".


No dia 3 de julho, os países do Mercosul concederam a Eduardo Galeano o título de primeiro Cidadão Ilustre da região. Eduardo é o autor de inúmeros livros que retratam a exploração que aconteceu na América Latina nos vários séculos após seu "descobrimento" pelos europeus conquistadores. Entre eles "As veias abertas da américa Latina", livro obrigatório para todo estudante de história.


Estas foram suas palavras de agradecimento:


"Colar de histórias. Nossa região é o reino dos paradoxos.

Tomemos o caso do Brasil, por exemplo:

- paradoxalmente, Aleijadinho, o homem mais feio do Brasil, criou as mais altas belezas da arte da época colonial;

- paradoxalmente, Garrincha, arruinado desde a infância pela miséria e a poliomielite, nascido para a desgraça, foi o jogador que mais alegria ofereceu em toda a história do futebol;e,

- paradoxalmente, Oscar Niemeyer, que já completou cem anos de idade, é o mais novo dos arquitetos e o mais jovem dos brasileiros.


Ou, por exemplo, a Bolívia: em 1978, cinco mulheres derrubaram uma ditadura militar.. Paradoxalmente, toda a Bolívia zombou delas quando iniciaram sua greve de fome. Paradoxalmente, toda a Bolívia terminou jejuando com elas, até que a ditadura caiu.

Eu conheci uma dessas cinco obstinadas, Domitila Barrios, no povoado mineiro de Llallagua.

Em uma assembléia de operários das minas, todos homens, ela levantou e fez todos calarem a boca.

— Quero dizer só uma coisinha.

Nosso inimigo principal não é o imperialismo, nem a burguesia, nem a burocracia.

Nosso inimigo principal é o medo, e nós carregamos ele dentro.

E, anos depois, reencontrei Domitila em Estocolmo. Havia sido expulsa da Bolívia e ela tinha marchado para o exílio, com seus sete filhos. Domitila estava muito agradecida pela solidariedade dos suecos, e admirava a liberdade deles; mas tinha pena deles, tão sozinhos que estavam, bebendo sozinhos, comendo sozinhos, falando sozinhos.

E dava-lhes conselhos:

— Não sejam bobos. Fiquem juntos. Nós, lá na Bolívia, ficamos juntos. Mesmo que seja para brigar, ficamos juntos.

E como tinha razão.

Porque, digo eu: existem os dentes, se não ficarem juntos na boca?

Existem os dedos, se não ficarem juntos na mão?

Estarmos juntos: e não só para defender o preço dos nossos produtos, mas também, e sobretudo, para defender o valor dos nossos direitos. Bem juntos estão, mesmo que de vez em quando simulem brigas e disputas, os poucos países ricos que exercem a arrogância sobre todos os outros. Sua riqueza come pobreza, e sua arrogância come medo. Bem pouquinho tempo atrás, por exemplo, a Europa aprovou a lei que transforma os imigrantes em criminosos. Paradoxo de paradoxos: a Europa, que durante séculos invadiu o mundo, fecha a porta no nariz dos invadidos, quando eles querem retribuir a visita. E essa lei foi promulgada com uma assombrosa impunidade, que seria inexplicável se não estivéssemos acostumados a sermos comidos e a viver com medo.

Medo de viver, medo de dizer, medo de ser. Esta nossa região faz parte de uma América Latina organizada para o divórcio de suas partes, para o ódio mútuo e a mútua ignorância.

Mas somente estando juntos seremos capazes de descobrir o que podemos ser, contra uma tradição que nos amestrou para o medo e a resignação e a solidão e que cada dia nos ensina a não gostar de nós mesmos, a cuspir no espelho, a copiar em vez de criar.

Ao longo da primeira metade do século dezenove, um venezuelano chamado Simón Rodríguez caminhou pelos caminhos da nossa América, no lombo de uma mula, desafiando os novos donos do poder:

— Vocês , clamava o sr. Simón, vocês que tanto imitam os europeus, por que não imitam o mais importante, que é a originalidade?

Paradoxalmente, não era ouvido por ninguém este homem que tanto merecia ser ouvido. Paradoxalmente, chamavam-no louco, porque cometia a sensatez de acreditar que devemos pensar com nossa própria cabeça, porque cometia a sensatez de propor uma educação para todos e uma América de todos, e dizia que a quem não sabe, qualquer um engana e a quem não tem, qualquer um compra, e porque cometia a sensatez de duvidar da independência dos nossos países recém-nascidos:— Não somos donos de nós mesmos —dizia. Somos independentes, mas não somos livres.

Quinze anos depois da morte do louco Rodríguez, o Paraguai foi exterminado. O único país hispano-americano verdadeiramente livre foi, paradoxalmente, assassinado em nome da liberdade. O Paraguai não estava preso na jaula da dívida externa, porque não devia nem um centavo para ninguém, e não praticava a mentirosa liberdade de comércio, que nos impunha e nos impõe uma economia de importação e uma cultura de impostação.

Paradoxalmente, depois de cinco anos de guerra feroz, entre tanta morte sobreviveu a origem. Segundo a mais antiga de suas tradições, os paraguaios nasceram da língua que os nomeou, e entre as ruínas fumegantes sobreviveu essa língua sagrada, a língua primeira, a língua guarani. E em guarani falam ainda hoje os paraguaios na hora da verdade, que é a hora do amor e do humor. Em guarani, ñe´é significa palavra e também significa alma. Quem mente a palavra, trai a alma. Se dou minha palavra, estou me dando.

Um século depois da guerra do Paraguai, um presidente do Chile deu sua palavra, e deu-se. Os aviões cuspiam bombas sobre o palácio de governo, também metralhado pelas tropas de terra. Ele havia dito:— Daqui eu não saio vivo.

Na história latino-americana, é uma frase freqüente. Foi pronunciada por vários presidentes que depois saíram vivos, para continuar pronunciando-a. Mas essa bala não mentiu. A bala de Salvador Allende não mentiu. Paradoxalmente, uma das principais avenidas de Santiago do Chile chama-se, ainda, Onze de Setembro. E não se chama assim pelas vítimas das Torres Gêmeas de Nova York. Não. Chama-se assim em homenagem aos verdugos da democracia no Chile. Com todo o respeito por esse país que amo, atrevo-me a perguntar, por simples senso comum: não seria hora de mudar-lhe o nome? Não seria hora de chamá-la Avenida Salvador Allende, em homenagem à dignidade da democracia e à dignidade da palavra?

E atravessando a cordilheira, pergunto-me: por que será que o Che Guevara, o argentino mais famoso de todos os tempos, o mais universal dos latino-americanos, tem o costume de continuar nascendo?Paradoxalmente, quanto mais é manipulado, quanto mais é traído, mais nasce. Ele é o mais nascedor de todos. E pergunto-me: Não será porque ele dizia o que pensava e fazia o que dizia? Não será por isso que ele continua sendo tão extraordinário, neste mundo onde as palavras e os fatos muito rara vez se encontram, e quando se encontram não se cumprimentam, porque não se reconhecem?

Os mapas da alma não têm fronteiras e eu sou patriota de várias pátrias. Mas quero culminar este viagenzinha pelas terras da região evocando um homem nascido, como eu, aqui pertinho.

Paradoxalmente, ele morreu há um século e meio mas continua sendo meu compatriota mais perigoso. É tão perigoso que a ditadura militar do Uruguai não conseguiu encontrar nem uma única frase sua que não fosse subversiva e teve que decorar com datas e nomes de batalhas o mausoléu que erigiu para ofender sua memória.

A ele, que se recusou a aceitar que nossa pátria grande se quebrasse em pedaços; a ele, que se recusou a aceitar que a independência da América fosse uma emboscada contra seus filhos mais pobres, a ele, que foi o verdadeiro primeiro cidadão ilustre da região, dedico este título, que recebo em seu nome.

E termino com palavras que escrevi para ele algum tempo atrás:1820, Paso del Boquerón. Sem virar a cabeça, você afunda no exílio. Estou vendo, estou vendo você: desliza o Paraná com preguiça de lagarto e ao longe se afasta flamejando seu poncho esfarrapado, ao trote do cavalo, e se perde na mata. Você não diz adeus à sua terra. Ela não iria acreditar. Ou talvez você não sabe, ainda, que está indo para sempre.Acinzenta-se a paisagem. Você está indo, vencido, e sua terra fica sem alento.

Irão devolver-lhe a respiração os filhos que nasçam dela, os amantes que a ela chegarem? Aqueles que dessa terra brotem, aqueles que nela entrem, far-se-ão dignos de tristeza tão funda?Sua terra. Nossa terra do sul. Você será muito necessário para esta terra, Dom José.

Cada vez que os cobiçosos a firam e humilhem, cada vez que os tolos acreditem que está muda ou estéril, você fará falta.
Porque você, Dom José Artigas, general dos simples, é a melhor palavra que ela já disse".

SOBRAL, TERRA DO FUTURO 2


Há algum tempo, após uma visita feita ao município de Sobral, escrevi um artigo para comentar a transformação que aquela cidade estava passando em decorrência da administração do então prefeito Cid Gomes. Retornei semana passada a cidade atendendo convite do meu amigo Veveu Arruda. O processo de mudança continua a ocorrer com a implantação de novo modelo educacional, abertura de novas ruas e avenidas entre outras ações. Constatei como uma continuidade administrativa faz bem a um município. A cidade vem crescendo planejadamente. Há problemas que vão aos poucos sendo enfrentados e superados. Visitei projetos na área de esporte, que me deixou com uma ponta de inveja, já que não temos algo semelhante em Quixadá. Os jogos escolares sobralenses fazem já parte do calendário municipal, visitei quadras esportivas em utilização e espaços públicos de lazer com rampas de skate. Infelizmente nosso atual gestor em Quixadá não vê com bom olhos o investimento esportivo, embora seja grande empreendedor em outras áreas.

Aproveitando a viagem conheci um restaurante mineiro na serra da Meruoca. Excelente o serviço e sua qualidade. Vale a pena visitar e contemplar sua bela vista.

Como ninguém é de ferro curti o nostálgico show dos Paralamas por ocasião desta mesma visita. Me embalei ao som de "alagados", "meu erro", "eu não uso óculos", etc. Foi bom demais. A foto é com o meu amigo Vicente no citado show, que como sempre nos ciceroneou pelos lugares boêmios da cidade.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Festas Juninas


Este último final de semana de junho optei por participar de uma festa em uma fazenda de Quixadá, com direito a fogueira, quadrilha improvisada, fogos e muito forró pé de serra. A comunidade de Rampa em Juatama se reuniu toda para saldar São Pedro. Foi muito interessante. As crianças que foram a festa ficaram eufóricas. Soltar fogos, brincar com as outras crianças, comer comidas típicas, as deixaram muito felizes. Nem mesmo o avançar da hora os cansava. Os adultos além de curtir uma bebidinha, puderam dançar quadrilha improvisada puxada pelo eclético Chiquinho Saraiva. Foi muito bom. Relembrei os tempos de criança. Interessante foi reencontrar o amigo Padre Robério, que trouxe duas convidadas das Filipinas. Mesmo sem falar nada de português adoraram, levaram boas lembranças das festas juninas do Ceará. Fiquei a pensar e se não seria legar comemorar minha formatura em junho de 2.009 com a reedição do "Arraiá do Paraguassu".

"LEI SECA"


Interessante a polêmica envolvendo a chamada "Lei Seca" que proibe qualquer consumo de bebidas alcoólicas para as pessoas que vierem a dirigir veículos. Sem dúvida nenhuma é uma lei correta. É um absurdo a quantidade de acidentes envolvendo motoristas que tenham ingerido álcool. Quantas pessoas já morreram ou ficaram com sequelas permanentes pela irresponsabilidade no volante. Precisamos nos adequar a essa lei, pelo bem da vida, das nossas vidas. Não custa nada rodiziar nas baladas o consumo de bebidas. Naquele sábado escolhe-se um dos amigos para ficar sóbrio. Além do mais a multa é pesada, não dá para arriscar. Vamos nos adequar a essa realidade, beber perto de casa ou sair com a esposa é uma outra solução. As mulheres agradecem.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

CENSURA RETORNA PELA JUSTIÇA ELEITORAL


Causou estranheza e protestos a atitude da Justiça Eleitoral de multar meios de comunicação e a pré candidata Martha Suplicy por terem realizado entrevista em que abordam os mais diversos temas políticos e de interesse da cidade. A decisão fundamenta-se no fato de que estaria havendo propaganda antecipada. Inúmeros protestos aconteceram de jornalistas, entidades de classe e de diversas personalidades. Será a censura novamente acontecendo ? Não nos parece que estaria havendo uma prioridade para determinado candidato pois os demais seriam também entrevistados.
A democracia existe para ser efetivamente cumprida. Parece-me que alguns promotores e juízes querem ser mais rigorosos que a própria lei. É dever da imprensa informar, entrevistar, mostrar a sociedade como se está procedendo o processo político em cada cidade brasileira. Se acontecesse um direcionamento para beneficiar um candidato em detrimento de outros, aí sim estaria efetivada uma ilegalidade. Não como parece que aconteceu este fato.
Levanto este problema pois como fui pré candidato a Prefeitura de Quixadá participei de um programa de entrevistas em uma rádio da cidade. Ao ser convidado fui informado que tinham comunicado à Justiça eleitoral, que os entrevistados teriam o mesmo tempo e que a ordem de entrevista seria definida em sorteio, além do fato de todos os pré candidatos terem confirmado a presença. Para minha surpresa depois fui processado pela Justiça eleitoral e mesmo apresentando toda a argumentação possível, mostrando o convite a mim feito por escrito, fui multado em R$ 25.000,00. Tou recorrendo ao TRE para ver se modifico esta injusta decisão. Hoje não se entrevista nas rádios de Quixadá nem candidato a presidente de associação. Simplesmente lamentável. A Constituição assegura que “nenhuma lei poderá criar dispositivo capaz de criar embaraço à plena liberdade de informação jornalística”. É interesse da população saber e é dever do jornal divulgar o pensamento das diversas forças políticas que disputarão os governos das cidades do país.
Acho que tá acontecendo neste momento por aí muita coisa mais importante para a Justiça Eleitoral do que cercear o direito da população ser informada. Basta ver a distribuição de cestas básicas, óculos, materiais de construção em busca de corromper a vontade soberana do povo.

terça-feira, 17 de junho de 2008

POR QUE OBAMA ?

ELEIÇÕES NOS EUA

Barack para presidente!

Flávio Aguiar é articulista da revista Carta Capital e escreve sobre a disputa sucessória nos Estados Unidos e a definição do candidato democrata: "Meu presidente chama-se Barack Obama. Ao som deste nome se acendem em minha lembrança as chamas de 1968, que devoraram Washington depois do assassinato de Martin Luther King. Quem não entender isso, que fique entre as cinzas".

Flávio Aguiar

Estas são as palavras de que me lembro,
Diante da indicação de Barack Obama para disputar a presidência
Dos Estados Unidos da América (do Norte), o cargo maisCobiçado e odiado do planeta Terra, em toda sua história:
Em nome das muitas almas, de todas as cores,
De Martin Luther King, de Toussaint L’Ouverture, de Zumbi,
De Patrice Lumumba, de Tupac Amaru, de Tecumseh, de Totanka Yotanka,Mais conhecido como “Touro Sentado”, ou “Sitting Bull”,
Em nome da Revolta dos Malês na Bahia, e a dos Alfaiates,
E de João Candido e a revolta dos marinheiros em 1910,
E em nome de Frei Caneca e de Abraham Lincoln,
E pelo Orfeu de Carapinha, o Luís Gama dos escravos brasileiros,
Em nome de Anacaona, a rainha haitiana que foi para sempre silenciada
Pelo esquecimento de sua poesia e pelo seu enforcamento,
E tem mais, em nome do espírito de Espártaco
E de todas as pedras que abrigaram em algum momento
A cabeça dos escravos estafados, em nome dos pregos
Dos navios negreiros feitos de um ferro que podia ser o da liberdade,
E ainda em nome de todos os gritos que nunca foram ouvidos
Mas que nem por isso devem ser esquecidos
E mais em nome das pedras que nunca falaram,
Dos rios que nunca fluíram
Dos sangues que nunca viram a cor do dia
Mas somente o escuro das câmaras de tortura,
Pela alma de Osvaldão e de seus companheiros da guerrilha do Araguaia
E mais em nome de todas as gentes que sendo de um povo deram a vida
Por outro, e que sendo de outro povo deram a vida por um, e em nome
Do que ainda acredito que seja o melhor, o um
Por todos e todos por umCredo romântico de que nunca me afastei,
E ainda por Moisés em Auschwitz e por Maomé na Faixa de Gaza,
E Buda e Iara da Muiraquitã e Oxum
E mais alguma divindade esquecida
Em nome das bruxas queimadas, das torturadas,
Das mulheres extorquidas de sua identidade,
Ah sim, e é bom não esquecer,
Pela Princesa Isabel regente,

Barack pra presidente!

As promessas e as decepções
A gente discute depois.

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Entrevista de LULA mostra predileção por OBAMA


Veja a íntegra de entrevista concedida pelo presidente Lula ao Jornal do Brasil em que fala de Obama, da oposição, de seus planos para o futuro.

– O JB teve uma importância grande na minha atividade sindical. Fui muito ligado ao diretor da Sucursal em São Paulo na época em que começaram as greves do ABC. Era o João Batista Lemos, grande jornalista. O JB tinha cobertura quase privilegiada. Não só pela minha amizade com o Lemos, como também porque o jornal tinha uma sucursal muito forte. Tem até uma história curiosa. Quando estive preso, algumas pessoas me procuraram na delegacia dizendo que “o chefe” queria falar comigo. “O chefe, o chefe, o chefe”. Aí criaram essa história de que era o ministro Golbery do Couto e Silva, o governo. Nada disso. “O chefe” era o Lemos. O pessoal dele que havia levado o recado de que ele, “o chefe”, queria falar comigo. Só isso. Aquele momento era de muita ebulição. Para distribuir um jornalzinho do sindicato você tinha que enfrentar a ira de um coronel, a segurança da Volkswagen cercava o pátio. Para o trabalhador entrar com o boletim do sindicato ele tinha que guardar por dentro da camisa, na barriga, com medo da segurança ver. Hoje, você vai na Volkswagen, você vai na linha de montagem, vai passando jornalzinho para qualquer trabalhador pegar o seu.
O movimento sindical ficou muito mais pragmático?– Em São Bernardo do Campo as comissões de fábrica funcionam para caramba – 90% dos processos são resolvidos dentro da fábrica. Teve um tempo desses aí que eles tiraram 600 processos da Justiça, fizeram acordo pela fábrica, foram na Justiça com a empresa para retirar o processo.
O aço é brasileiro, as siderúrgicas são brasileiras, os salários são em reais, então não há por que acompanhar o preço internacional. É preciso alertar quem aumenta
O senhor diria que o sindicalismo se adaptou aos novos tempos?– Acho que o sindicalismo teve uma evolução em suas conquistas. Os sindicatos podem transitar nas suas relações com o capital ou mesmo com o governo com mais facilidade. Para fazer uma greve, eu precisava passar uma semana gritando na porta de fábrica. Agora, convoca-se a comissão de fábrica no mesmo dia: “quarta-feira, 8h vamos estar lá”. O sindicalismo atualmente vem ao Congresso Nacional brigar por Imposto de Renda, os funcionários públicos estão aprendendo a brigar por aumento na hora de fazer o Orçamento da União. No meu tempo, qual era a nossa marca registrada? Contestação. Não tinha compromisso com propostas. Só o de protestar. Hoje, e eu participei muito disso na década de 90, o movimento sindical tem que ser propositivo. Na medida em que as fábricas não vão ter mais a quantidade de trabalhadores que tinham – a Volkswagen tinha 44 mil trabalhadores e hoje tem 13 mil – os sindicatos têm que apresentar propostas. Esse negócio de carro flex, por exemplo, tem muito a ver. O sindicato passou oito anos fazendo proposta de renovação da frota.
O movimento social não evoluiu da mesma maneira. O MST lembra muito isso que o senhor está dizendo, que é de se tornar uma máquina de protesto.– É muito difícil você fazer movimento social, e até sindical, na época em que as coisas estão indo bem. Quando o Fernando Henrique Cardoso fez o Plano Real, fiz uma reunião com os sindicalistas, e disse: não estamos acostumados a trabalhar em época de inflação baixa. Na medida que você tem inflação baixa e que o salário não é o primeiro item da pauta de reivindicações, pode diminuir a força do sindicato. Voltando à questão do movimento social. Na medida em que você tem um governo que atende às reivindicações, que faz as coisas que têm que ser feitas, que decide as políticas em conjunto, o movimento social também precisa avançar. No caso dos sem-terra, na hora que você tem geração de emprego, há menos gente para os assentamentos. Em cinco anos e meio nós desapropriamos 35 milhões de hectares de terras e o governo passado, em oito anos desapropriou 18 milhões de hectares. Chega um momento, quando você assenta 501 mil famílias, que o problema não é mais assentar. Nós tomamos na semana passada a decisão de fazer os assentamentos produzirem mais alimentos. Chegou a hora de dobrar ou triplicar a produtividade das pessoas que estão no campo. Não podemos permitir que fiquem apenas naquela agricultura de subsistência. Precisamos dar condições para produzirem e ganharem dinheiro. As pessoas têm que saber que ganhar dinheiro é bom. E eu acho que isso é que tentaremos fazer daqui para a frente. Obviamente que vamos continuar com os assentamentos, mas eu quero carrear mais recursos para assistência técnica, e para levar tecnologia aos agricultores, financiar mais tratores. Cabe ao governo aumentar o preço mínimo para incentivar a produção. Podemos também aumentar a compra de alimentos da agricultura familiar e distribuir para a merenda escolar e para as pessoas mais pobres. Essa é uma decisão tomada no governo e que vamos implementar. Se você pegar a agricultura familiar, verá que nós temos uma margem de crescimento de produtividade extraordinária.
Se baixassem um pouquinho os juros, isso não ajudaria a aumentar a produtividade?– Hoje aproximadamente 60% do custo do dinheiro que vai para a produção no Brasil não têm nada a ver com a taxa básica do Banco Central, a taxa Selic. Você tem dinheiro tomado por empresários no exterior com outras taxas de juros, tem todo o dinheiro do BNDES – R$ 90 bilhões este ano – financiado com taxas menores. O grande prejudicado com a Selic é o próprio Estado, porque aumenta a dívida pública. O problema é a inflação. E por que há inflação? Porque algum setor está aumentando o preço. Se ninguém aumentasse o preço, não teríamos inflação. Há setores que estão aumentando porque dependem de matéria-prima internacional, mas isso não explica o caso do feijão, do arroz, que são coisas nossas. No caso do aço, o minério é brasileiro, as siderúrgicas são brasileiras, os salários são em reais, então não há por que acompanhar o preço internacional. Tenho dito tanto para empresários como para agricultores: está na hora de vocês alertarem os setores que estão elevando os preços. E qual é a alegação para aumentar preços? Aumenta a demanda na construção civil, aumentam os preços. Os empresários deveriam ter um procedimento diferente. Na medida em que aumenta a demanda, não precisa aumentar o preço. Vocês vão ganhar mais pelo aumento do volume de vendas.
O Brasil precisa ter um crescimento sustentado de 4,5% a 5% durante 10 ou 15 anos consecutivos. Se o Brasil fizer isso, nós entraremos no rol dos países ricos
Qual a certeza com que eu trabalho? Primeiro, acho que resolveremos a questão dos preços dos alimentos. Segundo, a questão da oferta. Precisamos aumentar a produtividade. Temos terra, temos água. Por isso vamos melhorar a produtividade, qualificar melhor nossos agricultores. A segunda coisa importante é que temos mais investimentos sendo aplicados. Nesse primeiro momento o investimento se transforma em consumo. Está sendo construída a usina da ThyssenKrupp no Rio de Janeiro. Ali estão comprando telhas, cimento, ferro, tudo o mais, que aumenta a demanda. Mas se está construindo o pólo petroquímico no Rio de Janeiro. Daqui a algum tempo esse consumo vai virar oferta. E aí é que eu acho que a coisa encontra o equilíbrio, a fim de garantir o desenvolvimento sustentado do país. Trabalho sempre com a idéia de que o Brasil não precisa ficar com o trauma de que não pode crescer mais de 3% e nem o trauma de que precisa crescer 10%. O Brasil precisa ter um crescimento sustentado de 4,5% a 5% durante 10 ou 15 anos consecutivos. Se o Brasil fizer isso nós entraremos no rol dos países ricos.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, propõe a criação do Fundo Soberano para segurar a inflação. Os economistas falam em controlar gastos públicos.– Por que criamos o Fundo Soberano? Porque dá margem de manobra para você ter dinheiro para facilitar investimentos do Brasil no exterior e ao mesmo tempo dá uma margem de manobra com a arrecadação a mais, a fim de não colocá-la no custeio e ter um dinheiro à parte, que pode ser contado até como superávit primário. Fiz questão de elogiar o Mantega e a equipe dele, porque foi uma medida extremamente inteligente. Então, quando as pessoas falam que a máquina gasta muito, eu queria dizer o seguinte: quanto o Franklin Martins (ministro-chefe da Secretaria de Comunicação) ganhava na Rede Globo, ou quanto ele ganhava na TV Bandeirantes? E quanto ele ganha aqui? R$ 10 mil, para trabalhar certamente o triplo do que trabalhava. Ontem recebi o Ricardo Kotscho (ex-secretário de imprensa do Palácio). Está trabalhando num blog. Ele disse que nunca ganhou tanto dinheiro. Ficou três anos aqui ganhando R$ 7 mil. Eu tinha um cidadão da Petrobras, que saiu da Petrobras, chorou aqui nesta sala, grande companheiro. Eu achei que ele ganhava demais – R$ 26 mil por mês. Achei que era um baita de um salário. Ele saiu para ganhar R$ 200 mil por mês com dois anos de pagamento adiantado. E agora já saiu para ganhar R$ 400 mil. Você tem um grau de funcionários de alta qualidade neste país que ganha porcamente. O Estado precisa ter funcionários qualificados, bem remunerados, para dar o retorno para a sociedade. As pessoas perguntam, por que o Hospital Sarah Kubitschek funciona e as pessoas são felizes lá? Porque ganham bem, têm jornada de trabalho integral, não podem trabalhar em outro serviço.
Desde a primeira escola técnica criada por Nilo Peçanha, em 1909, até 2003, o Brasil construiu 140. Em 93 anos. Nós, em oito anos, vamos construir 214
Até 2010, nós estaremos inaugurando e colocando para funcionar 214 novas escolas técnicas no Brasil. É importante lembrar que desde a primeira escola técnica criada por Nilo Peçanha em Campos, em 1909, até 2003, o Brasil construiu 140. Em 93 anos. Nós, em oito anos, vamos construir 214 escolas técnicas. Para construir, eu preciso ter técnicos, preciso ter funcionários. Nós estamos fazendo 12 universidades integradas com outros povos. Estamos fazendo uma latino-americana, estamos fazendo uma para a África (Brasil–África), destinada aos países de língua portuguesa. Se Deus quiser, vamos instalá-la no Ceará, que foi a primeira província do Império a libertar seus escravos. Nós vamos ter um total de 15 novas universidades e por volta de 88 novos campi universitários. Tudo isso precisa de professores e técnicos. Então, não tem remédio.
A aprovação da Contribuição Social para a Saúde (CSS) ajuda a colocar dinheiro em caixa. O governo assumirá que tem interesse no imposto?– Não. Isso será uma decisão do Congresso. Os senadores votarão com sua consciência. Graças a Deus as instituições no Brasil funcionam exageradamente bem.
Como o senhor vê as eleições nos EUA. Torce para alguém?– Não, não posso dizer. O Monteiro Lobato escreveu que um dia haveria uma disputa entre uma mulher e um candidato negro nos Estados Unidos. É o que está acontecendo com o Barack Obama. Eu acho que é uma revolução na cabeça do eleitorado americano. Se Obama ganhar será mostra de grande evolução. Essa é a grande novidade desses últimos 100 anos da História. E Deus queira que, ganhando as eleições, ele possa ter uma política dos Estados Unidos diferente para América Latina.
O senhor o conheceu pessoalmente?– Não. Mas tem a vantagem que o Mangabeira Unger (ministro de Assuntos Estratégicos) foi professor dele em Harvard. É um companheiro, indiretamente... (risos)
Os EUA deveriam ter um olhar para a América Latina, que não fosse o olhar conspirador. Não existe mais ninguém querendo fazer revolução na América Latina. O novo presidente deveria ter um olhar positivo
O senhor o congratulou pela vitória nas primárias?– Não. Até conversei com o Mangabeira, o ideal é esperar pelo final da campanha, para saber qual será a política dele para a América Latina. O que ele já fez com relação ao Brasil, quanto aos combustíveis de fontes renováveis é um passo importante. A meu ver os Estados Unidos deveriam ter um olhar para a América Latina, que não fosse o olhar conspirador. Hoje não existe mais ninguém querendo fazer revolução na América Latina. Hoje todos os países estão participando de programas democráticos. Agora o que acontece é que os Estados Unidos, de um lado, têm a responsabilidade, o Brasil, de outro, tem a mesma responsabilidade, assim como o México, de contribuir para que essa região se desenvolva e possa evoluir em paz. Acho que o novo presidente deveria ter um olhar positivo para a América Latina e espero que tenha. O McCain também fez muitos elogios ao Brasil.
Aqui no Brasil, o senhor acha que vai conseguir eleger a ministra Dilma Rousseff em 2010?– Eu não tenho candidato.
Mas o senhor declarou há poucos dias que a Dilma está sendo atacada por ser a favorita.– Não declarei isso. Mas começaram a atacá-la quando disse no Rio de Janeiro que Dilma era a mãe do PAC. Ela trabalha nesse PAC 24 horas por dia, controla todos os investimentos do PAC, fica sabendo se é preto, se é roxo. Ela é quem chama os ministros, que presta contas para mim a cada mês, que presta contas para a imprensa. Depois que eu disse isso, talvez os adversários entenderam que era uma senha. E começaram a atacar.
A Dilma tem competência? Eu digo, tem. Agora, entre ter competência gerencial e uma candidatura à Presidência, há uma distância da largura do Oceano Atlântico
Estão atacando-a por ser a favorita para ganhar as eleições?– A minha idéia é construir uma candidatura única da base do governo. Quero juntar todos os partidos. Acho que é plenamente possível. Temos 27 candidatos a governador, 54 candidatos a senadores, vices, cargo não falta para quem quiser disputar. Basta que as pessoas decidam claramente se querem disputar a eleição para ganhar ou se querem fazer aventura de ser candidato a qualquer preço. Eu, particularmente, trabalho com a hipótese de fazer a minha sucessão. Estou convencido que tudo o que estamos fazendo precisa continuar. Eu ainda não tenho candidato, não quero discutir isso. Agora, se você perguntar: “A Dilma tem competência?” Eu digo, tem, sim. Acho que tem pouca gente no Brasil hoje com a capacidade gerencial que a ministra Dilma tem. Agora, entre ter competência gerencial e uma candidatura à Presidência, há uma distância da largura do Oceano Atlântico.
Qual seria o seu legado para o sucessor?– Vamos esperar 2010. Eu pretendo fazer uma inovação no final do meu mandato. Quero pegar todas as coisas que foram feitas. Cada ministério vai ter que me entregar tudo o que foi feito nesses últimos anos, registrar em cartório e me entregar, que eu quero entregar para o meu sucessor, quero entregar para a imprensa, registrado em cartório. Cada coisa que nós fizemos, cada obra, cada projeto, cada investimento, que é para não apagar a memória. Tudo isso está no computador. Se você entrar no computador hoje, isso aqui, que é um documento especial do presidente da República, se vocês entrarem no site, vocês terão todo dia, renovado todo mês, vocês entrarão no site do governo e terão tudo o que o governo está fazendo. E aí, sim, eu vou ter o legado. Eu vou ter o legado da recuperação da memória brasileira, quero ter isso na minha conta, quero ser o presidente que mais fez escolas técnicas neste país. Quero ser o presidente que no seu mandato fez mais universidades. Tudo isso, que mais melhorou a vida dos trabalhadores brasileiros, que mais estabeleceu relações com a sociedade. Acredito piamente que nós precisamos consolidar a mudança do padrão da relação entre o Estado e a sociedade. Veja uma coisa: na semana passada se criou uma celeuma se eu iria ou não à Conferência Nacional do Movimento GLBT (Gays, lésbicas, bissexuais e travestis). É um absurdo. Você imagina que o preconceito perpassa na cabeça de cada jornalista, a cabeça de cada integrante do governo, a cabeça de cada pessoa, porque o preconceito é generalizado. Você imagina... Eu sou, na história do mundo, o primeiro presidente a ir a uma conferência em que você tem lésbicas, travestis, homossexuais. E eu fui lá e se não tivesse escrito nos cartazes que era GLBT, eu sairia como se estivesse em qualquer outro encontro que não fosse desse movimento. Agora, nós criamos o preconceito. E eu dizia para eles: ninguém tem preconceito quando vocês vão votar. Ninguém tem preconceito quando vocês vão pagar Imposto de Renda. Eu acho o preconceito a pior doença na cabeça do ser humano.
O PT, como os outros partidos políticos, tem os seus defeitos. Todo partido gostaria de ter o seu candidato a prefeito, o candidato a vice, a chapa de vereador puro sangue
Por falar em preconceito, no Rio de Janeiro o PMDB e o PT romperam a aliança em torno da candidatura do petista Alessandro Molon. Motivo: existia uma grande dificuldade de acordo com o PT no interior do Estado. O senhor não aha que existe um certo preconceito do PT com os partidos aliados?– Não vamos misturar divergências politico-ideológicas com preconceito. São duas coisas distintas. O PT, como os outros partidos políticos tem os seus defeitos. Todo partido político, do A ao Z, todos gostariam de ter o seu candidato a prefeito, o candidato a vice ser seu, a chapa de vereador ser puro sangue e eleger todo mundo. É bom que isso não seja sempre possível, para que nós possamos ter a cabeça arejada. Mas , infelizmente, não deu certo no Rio de Janeiro entre o PT e o PMDB, embora tenha dado certo em vários outros lugares.
Mas como o senhor vê o caso de Belo Horizonte?– Sou um crítico do comportamento do PT em relação a Belo Horizonte. Você tem um problema local, que a direção municipal aprovou, a direção estadual aprovou, e a direção nacional parte para cima de uma briga que não é nossa. Ora, o candidato é do PSB, o vice é do PT, não vai ter coligação na chapa de vereadores, onde é que está o Aécio Neves a essa altura, senão apenas apoiando? Qual é o estigma, se nós temos em outros lugares aliança com o PFL e com o PSDB? Na política também quando você cria estigmas contra as pessoas, você começa a perder. Eu ainda acredito que o PT vai voltar atrás no caso de Belo Horizonte.
No Rio, o PMDB decidiu ter candidatura própria. Eu não posso dizer que não, porque o PMDB tem o governador. Mas o PT também terá candidato
E no caso do Rio?– No caso do Rio, o PMDB decidiu ter candidatura própria. Não posso dizer que não deva ter porque o partido tem o governador do Estado, é forte, pode ter. Agora, o que eles têm que admitir é que o PT também tem que ter candidato. O que eu acho é que se todos tivessem juízo a base do PT se uniria com o candidato a vice e a prefeito, ganharia as eleições e ajudaria a transformar o Rio de Janeiro na Cidade Maravilhosa.
Isso vai fazer com que o senhor tenha que ficar neutro na disputa do Rio?– Já tomei a minha decisão antes. Eu participarei muito pouco das eleições municipais em todo o país. O presidente da República não vai se meter nas eleições municipais, porque tem muitos deputados concorrendo às eleições. E a glória de quem ganhar vai ser dele, na cidade dele. Vai ter festa, não vou ficar nem sabendo. Mas os que perderem voltarão para cá azedos. E aí eu tenho que conviver com eles mais dois anos. Então eu preciso saber que caldo de galinha e cautela não fazem mal a ninguém. Eu preciso governar este país até 2010, com a tranqüilidade que estamos governando agora. Por isso não farei das eleições municipais um cavalo de batalha.
Eu trabalho com o cenário de que o Brasil será o terceiro ou quarto produtor mundial de petróleo. Nós precisamos usar essa potencialidade e criar uma indústria petroleira no país
E essa descoberta de petróleo?– Eu trabalho com o cenário de que o Brasil será o terceiro ou quarto produtor mundial de petróleo. O Brasil não pode se conformar a ser um país exportador de petróleo bruto. Nós precisamos usar essa potencialidade em petróleo e criar uma verdadeira indústria petroleira neste país. Um estaleiro para construir sonda, um estaleiro para construir plataforma, um estaleiro para construir embarcações. Hoje, se a gente tivesse que completar todas as sondas que a Petrobras precisa para começar a trabalhar, a gente não teria condições só com a produção brasileira. Será preciso a gente trazer de fora para que dê tempo de o nosso parque industrial se preparar. Mas essa é uma oportunidade excepcional para a gente desenvolver a indústria naval brasileira. E eu acho que nós precisamos aproveitar esse petróleo, eu não discuti ainda com ninguém o que nós vamos fazer com o petróleo, que pertence à União. As áreas que não foram leiloadas ainda são da União.
O Brasil deveria criar uma nova empresa com monopólio total sobre as novas jazidas?– Eu na verdade estou pensando seriamente nos investimentos que podemos fazer. Eu sonho com a criação de um fundo para investir na educação neste país. Outra coisa que penso é que o Brasil vive um momento tão excepcional que eu acho que a nossa oposição deveria ser mais construtiva. Achei bom o programa de TV do PSDB. Eles deveriam fazer na prática o que falaram na televisão. Fizeram até em branco e preto para parecer uma coisa antiga. Gostei muito. Mas eu queria que eles assistissem ao programa todo dia quando levantassem de manhã para ir ao Congresso.
O que o senhor achou do depoimento da diretora da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Denise Abreu?– É como se alguém levantasse pela manhã, fosse fazer um suco de laranja e a laranja não tivesse suco. Ou seja, como é que podem alguns senadores passarem 9 horas naquela conversa com ela, sem nada. Espremiam, espremiam e, nada. O que deu? Qual é o resultado daquilo? Esse caso da Varig foi inteiramente cuidado por um juiz, começou e terminou. Não houve participação do governo, porque o governo não podia fazer nada. Estava na mão do Judiciário. Agora vêm as pessoas e dizem: mas o governo tinha pressa. Lógico que nós tínhamos pressa. A Varig estava quebrada. Todo dia a manchete era sobre o caos aéreo. Vejam o caso do avião de Congonhas. Foi o pior inferno que eu já vivi. De repente, estou sentado na minha mesa e jogam nas minhas costas 200 mortos. E eu acompanhei tudo que se escreveu, acompanhei televisão, mudava de canal toda hora. Era como se o governo fosse o responsável por aquele avião ter caído. Nós não parávamos nem para pensar. E no dia seguinte saiu o vídeo da Infraero mostrando o que realmente aconteceu. As pessoas simplesmente apagam da memória, sem um pedido de desculpas. Ou um "erramos!". Apagam, esquecem. Eu penso que, no Brasil, a imprensa trabalha com traumas. Não tem coisa que magoe mais um jornalista do que ser chamado de chapa-branca. E às vezes o medo de ser chapa-branca faz ele extrapolar os limites do que pode fazer. O telespectador é mais inteligente do que a gente pensa. Ele saca. Tem um apresentador de televisão, que falava mal do governo todo dia. O pessoal ficava incomodado. Eu disse: gente, antes de ser presidente eu fui telespectador a vida inteira. E o telespectador não acredita nem em uma pessoa que só fale bem, nem em uma pessoa que só fale mal. Não acredita. Se você aparecer 20 vezes falando bem do governo, ninguém acredita. Se você aparecer 20 vezes só falando mal, também ninguém acredita.
O senhor ainda se julga de esquerda?– Eu cada vez sou mais torneiro mecânico. (risos) Nunca gostei de andar com rótulo na testa, que sou isso ou aquilo. Obviamente que todo mundo sabe da minha origem, da minha vida pública, e que eu me considero um homem de esquerda.
E corinthiano...– Sofri muito quarta-feira à noite.
Mas o senhor não pode falar mal do Sport, porque se quiser ser candidato ao Senado por Pernambuco...– Só um ato de insanidade me faria deixar sete meses a Presidência da República para ser candidato ao Senado. Este aqui é o cargo mais importante da Federação. Eu levei 12 anos para chegar aqui, por que vou deixar isso aqui para ser candidato ao Senado?
Vou deixar a Presidência com 64 anos. Para os padrões políticos brasileiros não sou velho. Meu paradigma de longevidade é a Dercy e o Oscar Niemeyer
O senhor ainda é jovem... – Vou deixar a Presidência com 64 anos de idade. Obviamente que para os padrões políticos brasileiros não sou velho. Meu paradigma de longevidade é a Dercy Gonçalves e o Oscar Niemeyer. Quero chegar a essa idade, com o prestígio do Oscar Niemeyer e com a peraltice da Dercy Gonçalves. Eu a vi um dia desses na televisão, ela fala todas as bobagens que um ser humano tem direito. Obviamente que vou deixar a presidência aos 64 anos de idade e que nunca vou desistir da política. Também não quero voltar ao poder, não quero voltar a dirigir o partido, não está mais na minha cabeça. Vou viajar pelo Brasil, gosto deste país, vou conhecer cada vez mais por dentro este país. E não tenho pretensões de dar palpites, quem quer que seja que esteja aqui, não ouvirá da minha boca nenhum palpite sobre qualquer que seja sua decisão. Na minha filosofia, rei morto, rei posto.
Dia 1º de janeiro de 2011 eu entregarei a Presidência da República e vou para casa. Não tenho tenho interesse de ser candidato a senador, a governador, a vereador. Nada
Mas nada impede que o senhor volte. O senhor vai ser uma pessoa forte no país, de qualquer maneira.– Não trabalho com a hipótese de volta. Se eu puder fazer um juramento: pela felicidade do meu filho caçula. Por que eu não trabalho com a possibilidade de voltar? Eu trabalho com a possibilidade de fazer a minha sucessão. Se eu eleger meu sucessor e ficar do lado de fora dando palpite, com poucos meses terei a pessoa que elegi como minha adversária. Como acontece em alguns países e como já aconteceu aqui. Se eu elegi uma pessoa, eu tenho a obrigação moral de ajudar essa pessoa a governar bem. E uma forma de ajudar a governar bem é não dar palpite. Se for consultado, ainda assim, falar em off. Qual é a hipótese de voltar? Se você estiver vivo ainda, se for um adversário que seja eleito. Trabalhar com essa hipótese é no mínimo mesquinharia elevada à quinta potência. Quando você passa por aqui, você tem que ser tão humilde e começar a imaginar que quem sentar aqui tem que fazer o máximo e o melhor que puder fazer, porque só assim o povo brasileiro vai ganhar. Então a gente não pode nunca torcer contra. O meu lema é o seguinte: dia primeiro de janeiro de 2011 eu entregarei a Presidência da República para alguém e vou para a minha casa conviver com a minha família. Não tenho tenho interesse de ser candidato a senador, a governador, a vereador. Nada.