domingo, 28 de setembro de 2008

ENTREVISTA AO BLOG OTORTOEADIREITA







Tinha evitado fala em política municipal, em virtude de minha decisão de não se envolver nestas eleições, mas como existe um ditado que diz "Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra e depois de uma pescaria" resolvi expressar meus sentimentos para evitar que paire qualquer dúvida sobre minha posição. Nesta entrevista, concedida ao blog otortoeadireita, reafirmo minha posições de não participar da campanha municipal e falo sobre as minhas impressões sobre Quixadá e o atual momento político.





O TORTO - Cristiano, fale-me de você e de sua relação com a política, como você foi atraído Por ela?




CRISTIANO - Sempre participei de grêmios estudantis, de clube filatélico, de torcida organizada do Quixadá, de tudo que tivesse movimento. Se eu me identificasse, estava dentro. Era bem novinho e fui participante do Movimento Pró-Mudanças, atraído pelos professores da época.
Como eleitor meus primeiros votos foram para Deputado Federal no Luiz Oswaldo e Deputado Estadual José da Páscoa. Acompanhava os comícios e era bem divertido principalmente para conhecer algumas meninas e começar os primeiros namoros. A turma da época era o Saraiva, Lima (Sebrae), Hélio Duarte e outros.
Quando entrei na faculdade, no curso de História da FECLESC, passei a ter contato com outras idéias e em pouco tempo fui me aproximando da esquerda. Participei do Centro Acadêmico de História e fui para vários encontros da faculdade, seminários, etc. Fundamos um jornal que se chamava “A OLHO NU” que chegou a ser sucesso entre a comunidade acadêmica. Ajudamos a organizar os primeiros jogos estudantis universitários em Quixadá e a Mostra de Artes Plásticas (MAPUQ).
Mantinha minha característica de participar de tudo. Envolvemos-nos na luta da universidade por mais professores, livros para a biblioteca, entre outras reivindicações. Nesse período aconteceram às eleições presidenciais e conseqüentemente, muitas debates foram travados na universidade. Apoiei na época Leonel Brizola. Panfletamos, fomos a comícios, passei a me interessar cada vez mais pela política. Quando aconteceu o 1o turno e o Lula era o adversário de Fernando Collor, passamos a apoiar o Lula imediatamente. Daí para frente passei a votar sempre no PT. Mesmo quando Ilário pediu, em 1994, aos cargos comissionados para votar no Tasso e no Sérgio Machado desobedeci e votei nos candidatos do PT. Voltando a 1992, quando estava iniciando a campanha eleitoral, tivemos a inclusão do professor Gilberto Telmo (então diretor da FECLESC) como vice na chapa do PT. Foi um motivo a mais para nos integrarmos totalmente à campanha.
A campanha começou pequena e foi crescendo. Organizamos o Comitê Jovem que teve uma participação decisiva na eleição. Chegou até a indicar a candidata a vice, quando da impugnação do Telmo, que foi a Professora Júlia Tavares. Éramos poucos, mas fazíamos um barulho danado na campanha. Lembro do Rinaldo Róger, Romero, Maílson, Moésio, Vicente, Wellington Viana, Hélio, Rick Maranguape, Gilberto Tomé, Karine, Roberta, Lara e Júlio César.
A eleição veio e ganhamos com uma margem mínima, mas suficiente para muitas comemorações. Pouco tempo depois fui convidado para ser Secretário de Cultura, na primeira gestão de Ilário, e procurei aproveitar parte da equipe do comitê jovem. Em 1993 filiei-me ao PT.

O TORTO - Como foi a experiência como secretário de cultura?




CRISTIANO - A secretaria envolvia a cultura, o turismo e o desporto. Tínhamos uma equipe bem pequena e sem estrutura. A força de vontade de fazer as coisas acontecer, com muita paixão de todos nós, trouxe muitos frutos. Organizamos um carnaval de rua com uma estrutura nunca vista à época, inclusive foi um choque cultural, pois trouxemos a banda baiana Raízes do Pelô para animar as noites. Foi um sucesso. Criamos a Festa Pula Fogueira que tornou-se nos quatro anos um grande espetáculo. Reorganizamos a biblioteca e o museu histórico. Elaboramos um mapeamento cultural e histórico de Quixadá, o qual foi destruído por mãos sem sensibilidade. Fizemos muitos eventos, cursos e oficinas. Organizou-se o 1o réveillon popular com a queima de fogos da Pedra do Cruzeiro. Foram momentos de muito aprendizado.

O TORTO - E como vereador, como foi a experiência?




CRISTIANO - Tive dois momentos no legislativo. O primeiro mandato foi um mandato de vereador de oposição. Foi um mandato bastante combativo, mas também de muitas propostas. Foi dessa época uma lei de minha autoria sobre o patrimônio histórico que o Dr. Romeu (IPHAN) considera a melhor lei municipal do Brasil, por contemplar diversos mecanismos para a preservação da nossa história.
A ação política demarcou mais o mandato, pois buscávamos retomar a prefeitura. Assumi a presidência do PT, coordenei a campanha do Ilário à Assembléia, bem como a realização da Copa Ilário Marques, que foi um grande sucesso de publico e político. E a vitória veio.
No segundo mandato, passei todo na presidência da Câmara. Além de construir um auditório modelo, implantar uma biblioteca, reestruturar a videoteca, adequar o prédio dentro das normas da acessibilidade (rampa de acesso, banheiros adequados, etc.); o maior desafio foi transformar o parlamento em algo dinâmico com muitas audiências públicas, seminários e debates. Foram momentos ricos para o parlamento. Deve-se ressaltar até a concessão de comendas que recebeu uma atenção especial com a sua especial valoração.
A organização interna da casa ganhou muito com a criação da pauta, incrível não existir isso antes; a informatização, os vários treinamentos que servidores e vereadores receberam ao longo do período em que comandei aquela casa. Foi também uma experiência maravilhosa, como se fizesse uma outra faculdade.

O TORTO - E a experiência como vice-prefeito e prefeito interino?




CRISTIANO - Procurei como vice e como prefeito interino colaborar no que eu podia para o sucesso dos grandes projetos da administração. Fui eu que elaborei junto com outros colaboradores o projeto do CEFET e da UAB. Acompanhei o projeto da UFC até o seu final. Tive audiências com ministros para discutir e encaminhar projetos. Participei de inúmeras reuniões sobre o projeto da usina de biodiesel e de outros benefícios para nossa cidade.
Enquanto assumi a prefeitura os salários dos servidores continuaram rigorosamente em dia, as obras não paralisaram; cumpri as contrapartidas dos projetos; concluímos diversas obras como o Centro de Referência da Mulher, calçamentos em vários bairros e distritos, três telecentros foram implantados; fizemos o reforma do Estádio Municipal e iniciamos a reforma interna do Ginásio Poliesportivo Governador Gonzaga Mota e a do ABC Baviera de Carvalho com recursos próprios. Aprovamos a Lei da Equidade com inúmeros direitos para servidoras e servidores municipais. Cumprimos os percentuais para aplicação na educação e saúde. Foi uma experiência que exigiu muito de mim, mas sem modéstia, demos conta do recado. Cumprimos nosso papel.

O TORTO - Você está momentaneamente longe da vida política de Quixadá. O que está fazendo? Quais seus planos pessoais e profissionais?




CRISTIANO - No momento tenho me dedicado a minha formação. Estou concluindo o curso de direito na Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e fazendo especialização em Direito e Processo do Trabalho, além de outros cursos em língua portuguesa e informática avançada. Tenho estudado em média dez horas por dia, mas é necessário. Não descarto a idéia de voltar a ser servidor público. Quem sabe voltar ao magistério que sempre foi uma aspiração minha.

O TORTO - Depois de tudo o que aconteceu, a não indicação do seu nome como candidato à sucessão de Ilário e o rompimento com o prefeito, como está sua relação dentro do Partido dos Trabalhadores?




CRISTIANO - Desde o acontecido me afastei da atividade política. Tive que me deslocar para Fortaleza para concluir estes compromissos anteriormente citados. Tenho representado a Prefeitura em alguns eventos, pois sou vice-prefeito até o final do ano. Quanto ao partido tive poucos contatos com suas lideranças. Continuo apenas filiado. A propósito, fui a alguns eventos da campanha da prefeita Luizianne Lins em Fortaleza, mas apenas como expectador.

O TORTO - Você tem uma grande identificação com o PT de Quixadá, afinal são 16 anos de dedicação e trabalho. É verdade que você pretende deixar o partido? Você já tem conversações com uma nova sigla partidária?




CRISTIANO - Sinceramente não sei. Minha opção seria ficar no PT. Acho, porém, que dentro do Partido não terei quase nenhum espaço. Não concordei com a decisão do Ilário. O partido é o reflexo dele no município. Podem dizer o contrário, mas sua vontade é a que prevalece. O tempo é que será o senhor da minha decisão. Quanto aos convites de outros partidos tive sim. De vários, todos dos chamados de esquerda.

O TORTO - Passado todo esse tempo, depois de muitas reflexões que você deve ter feito, como você avalia o comportamento do prefeito Ilário?




CRISTIANO - Neste período todo (de junho até hoje) só dei uma entrevista e o que falei nela praticamente nada mudou. Tenho procurado me desligar um pouco da vida política, mas é difícil e por isso aceitei dar esta entrevista, mesmo que pelo meio virtual. Mas como está havendo muita fofoca resolvi falar com vocês. Não podia recusar, pois este blog foi o que mais me deu apoio. Vou então ratificar o que eu falei.
A avaliação é a mesma de decepção total. Procurei me qualificar para ser o candidato da gestão. Poderíamos debater e visitar todas as casas mostrando o que fizemos e o que poderíamos fazer, pois estávamos capacitados para tal. Pensei que este era o pensamento geral do partido e principalmente do “chefe”. Não era. Infelizmente a opção era por algo personalístico. O que importa é ganhar, não importa com quem. Lamentável.

O TORTO - Neste período turbulento que você passou, quais os apoios que você destacaria como importantes?




CRISTIANO - Da população em geral, dos verdadeiros amigos, da família. Tive muita solidariedade. Fiquei muito feliz com todas as manifestações de apoio e carinho. Guardo boas recordações.

O TORTO - Com exceção do prefeito, o qual você mantinha uma estreita relação de amizade, quem mais te magoou nesta história?




CRISTIANO - Não guardo rancor nem ódio no meu coração. As decepções existem, mas alguém que ocupa cargo público deve estar preparado para este tipo de coisa. Posso citar um caso: tem uma pessoa, sempre que me via, procurava saber como as coisas estavam, dizia da sua disposição para a campanha, mas pelas costas destilava o seu veneno, falava verdadeiros absurdos. Quando a vejo, a cumprimento, mas estou aliviado, pois não precisarei conviver novamente com ela.

O TORTO - Você se culpa por ter confiado demais nas palavras do amigo Ilário e por conta disso não ter feito as articulações necessárias para que tivesse ocorrido uma prévia interna do partido?




CRISTIANO - Não me culpo. Sei que fiz o que devia ser feito. Confiei demais, é verdade. Diz um ditado que na política não há lugar para ingênuos. Talvez tenha sido ingênuo e sonhador demais. Mas continuarei sonhador.

O TORTO - Ouviu-se falar muito em Quixadá que o Ilário havia dito que com o atual candidato seria mais fácil ganhar a eleição? Essa afirmação existiu? Isso não é jogar fora uma história de luta?




CRISTIANO - É verdade. Existiu. Disse-me olho no olho. Mesmo nervoso, como fiquei no momento, ainda falei pra ele que isto não tinha meu apoio, que eu não compartilharia desta decisão e também não participaria da campanha eleitoral do PT.

O TORTO - Politicamente você já declarou que está afastado do prefeito Ilário Marques. Como está sua relação pessoal com ele?




CRISTIANO - Não existe relação alguma, nem de amizade, nem política.

O TORTO - Você foi uma das pessoas que contribuiu e lutou para a instalação da usina de biodiesel da Petrobrás em Quixadá. Como você vê este sonho transformar-se em realidade mesmo afastado da administração municipal?




CRISTIANO - Obviamente muito feliz. Fiz questão de comparecer à inauguração e ver este sonho sair do papel. Acho que o Lula tem feito um governo excepcional. Tem sido um exemplo para o nosso país e o mundo.

O TORTO - No seu site foi publicada uma matéria onde diz que você teve uma reunião com representantes da Associação dos Filhos e Amigos de Quixadá onde foram discutidos os mais diversos temas. Surgiu alguma conversa acerca de apoio político futuro?




CRISTIANO - Não. Recebi a visita de membros da diretoria da associação, os quais vieram se solidarizar comigo. Aproveitamos para discutir alguns temas de interesse da cidade como, por exemplo, a ocupação da Pedra do Cruzeiro por antenas, que sempre achei um absurdo. Discutimos alguns projetos que irei colaborar no que for possível. Foi uma visita de cortesia pela qual tive muito apreço.

O TORTO - Você recebeu o apoio e o convite de algumas entidades e empresários para se candidatar a vereador. O que o levou a não candidatar-se?




CRISTIANO - Achei que não seria adequado. Agradeci os apoios, mas coloquei que não seria conveniente para mim. Não por achar demérito ser vereador, pois acho uma função das mais relevantes. O motivo real de não aceitar, além de não sentir entusiasmado, era o fato de ter que subir para apoiar um palanque que não concordava.

O TORTO - Como você vê a candidatura do PT em Quixadá?




CRISTIANO - Estou afastado da campanha porque não concordo com ela. Não simplesmente por ter sido rifado. Principalmente porque não houve uma discussão séria dentro do partido sobre a sucessão municipal. Não houve consulta a base nenhuma. O pacote veio pronto para ser digerido. O candidato do PT não tem nenhum passado partidário, nenhuma experiência administrativa, não tem a cara do PT. Isto é do senso comum de todos.
Quais foram às propostas apresentadas por ele nesta campanha? Nenhuma. No dia da inauguração da usina de biodiesel, estive com um companheiro e ele me falou de uma conversa que ele teve com o candidato do PT e tinha ficado assustado com as bobagens que ele falou. Lembro de uma frase repetida pela pessoa, dita pelo candidato: “Depois do dia 5 de outubro eu vou ganhar a maioridade, quem vai mandar sou eu”. É lógico. É justamente aí que mora o perigo. Nossa cidade tem quase 80 mil habitantes, está vivendo um momento ímpar de desenvolvimento. Neste cenário é uma irresponsabilidade lançar um candidato tão despreparado como ele. E se for um desastre? Como diz a propaganda da justiça eleitoral são quatro longos anos. Este pecado eu não quero ter, de apoiar alguém em quem não acredito.

O TORTO - Sua carreira política sempre foi pautada na ética, na moral e na probidade administrativa. Você pensa em abandonar a vida pública? Ainda acredita na política?




CRISTIANO - Não penso em abandonar a política. Continuo com os mesmos princípios. Política é lugar para gente séria, preparada, competente, comprometida com as leis e com o bem estar da população. É lugar de gente honesta e não de espertalhões. Este período que estou vivenciando fortalece ainda mais o que penso. As leituras que tenho feito, as conversas que tenho tido, os seminários que tenho participado mostram que existe muita gente bem intencionada no mundo. Não podemos deixar que uma minoria tenha tanta força e faça-nos pensar que não tem jeito para consertar este país e o mundo.

O TORTO – Então, você pretende se candidatar a algum cargo político em Quixadá?




CRISTIANO - Como tenho dito, sinceramente não sei. Preparei-me da melhor maneira possível para ser um grande prefeito. Nos momentos de crise abrem-se várias oportunidades profissionais e terei que avaliar em um futuro próximo. Se Deus me reservar este destino de continuar na política estarei preparado.

O TORTO - Você está se dedicando a conclusão do curso de direito. Em algum momento bate um arrependimento de muitas vezes ter ”trancado” o curso e conseqüentemente atrasado o término da sua faculdade, para trabalhar em benefício do município de Quixadá?




CRISTIANO - De forma alguma. Na vida, em determinados momentos, você se vê diante de encruzilhadas e tem que escolher um caminho. Não há como deixar para depois de tomar a decisão, pensar em como seria se tivesse tomado o caminho contrário. Tem que percorrer aquele caminho escolhido da melhor forma possível. Tenho essa filosofia de vida. Não penso: “Ah, não devia ter saído do Banco do Brasil e ter comprado uma panificadora”. Penso que o Banco do Brasil me deu uma grande experiência de vida. “Ah, devia ter casado com aquela minha namorada do passado”. Recordo-me que vivi bons momentos com ela, mas que agora ela casou e não dá pra voltar atrás. São exemplos (risos). A questão é olhar para frente e construir o futuro da melhor maneira possível. É isso que tenho feito. Estou fazendo uma revisão geral da faculdade e buscando me qualificar o máximo agora. Até porque tenho a certeza de ter contribuído com bons projetos para minha cidade e isto vale qualquer sacrifício.

O TORTO - Qual a sua melhor e pior experiência nestes 16 anos de vida pública?




CRISTIANO - Tive muitos bons momentos na vida política. Algumas amizades que carrego desde o início da carreira. O carinho das pessoas não tem preço, como diz uma batida propaganda. O pior momento curiosamente não é esse atual, foi quando assumi como prefeito, em uma crise financeira sem limites, e tive poucos aliados próximos para me ajudar a superar aquele momento. Senti-me só.

O TORTO - Surgiram boatos do seu apoio à candidatura do PSDB em Quixadá, em virtude de sua irmã ter subido no palanque Tucano. O que tem de verdade, o que tem de mentira?
CRISTIANO - Minha irmã é eleitora de Quixadá e fez a opção democrática pelo Zé Nílson. Não é filiada ao PT, tem idade para ser minha mãe e realmente acredita que o mais preparado é o candidato que ela escolheu. Tem subido nos palanques e até falado. Eu iria proibir? Não tinha como e nunca faria isto.

O TORTO - E o que acha da eleição com relação aos vereadores?
CRISTIANO - Acho que vai ter pouca renovação. Com apenas 10 vereadores fica difícil uma alteração nos quadros atuais. Acho que grande parte dos vereadores vai ser reeleita. Foi assim na eleição passada e acho que ocorrerá de novo. No PT são diversos vereadores que buscam a reeleição e acho que as vagas ficarão em sua maioria com eles. Tem nomes novos como o Ítalo Beethoven e a Neiva do sindicato que acharia interessante se fossem eleitos. Se a Edi for reeleita e ficasse na câmara também acho que faria um bom trabalho. Nos candidatos de oposição vejo muito forte a candidatura do Pedro Baquit que deve puxar a legenda. O resto é briga grande entre diversos candidatos. Acho que a população seria mais representada com um número de vereadores maior, pois isto não traz nenhum prejuízo. O gasto é o mesmo.

O TORTO - O que acha dos candidatos a prefeito, Rômulo, Zé Nílson, Mônica e Roberto Costa?
CRISTIANO - Vocês querem me botar em boca quente. Mas vamos lá. Do Rômulo como candidato já expressei minha opinião. Em relação a Mônica posso falar que é uma mulher de muita coragem para participar desta campanha sem uma base de apoios sedimentada. Acho que ela teve erros estratégicos pois quem bate demais em uma eleição acaba perdendo espaço.
Do Zé Nílson posso falar que é uma pessoa preparada, que tem experiência e está fazendo uma boa gestão a frente da Faculdade Católica. Foi meu eleitor para a câmara em 2.000. Tenho uma relação respeitosa com ele.
Já o Roberto Costa, acho que é uma candidatura de protesto, mas que não vejo visibilidade como eu vi quando ele foi candidato a deputado federal.

O TORTO - Uma mensagem final para a população de Quixadá.
CRISTIANO - Queria agradecer a todos os apoios que tive ao longo destes últimos meses. Peço o entendimento para minha ausência nesta campanha em Quixadá. Peço também a todos que pensem bem no seu voto, pensem no futuro de nossa cidade e escolham o melhor candidato para governá-la.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Uma nova crise de 1929 no capitalismo ?


Esta crise que se abateu sobre o capitalismo nos EUA nos lembra o crack da bolsa de 1929. Esta entrevista transcrita da Carta Capital nos mostra a importância deste momento histórico. E hoje tem debate nas eleições presidenciais americanas. Quem dera poder votar no Obama e não em certos candidatos de nosso país.


JOSEPH STIGLITZ
A crise de Wall Street equivale à queda do Muro de Berlim


Para o prêmio Nobel de Economia de 2001, a crise financeira que atingiu Wall Street e os mercados financeiros de todo o mundo equivale, para o fundamentalismo de mercado, ao que foi a queda do Muro de Berlim para o comunismo.

"Ela diz ao mundo que esse modelo não funciona. Esse momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas", diz Stiglitz.
Nathan Gardels – El País
Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia em 2001, sustenta que a crise de Wall Street evidencia que o modelo de fundamentalismo de mercado não funciona. Para ele, a crise que sacudiu Wall Street é para esse modelo o equivalente ao que foi a queda do Muro de Berlim para o comunismo. Stiglitz critica a complexidade dos produtos financeiros que provocaram a crise e os incentivos ao risco dos sistemas de recompensa dos executivos.

Barack Obama afirma que o naufrágio de Wall Street é a maior crise financeira desde a Grande Depressão. John McCain diz que a economia está ameaçada, mas é basicamente forte. Qual deles têm razão?

Stiglitz – Obama está muito mais próximo da verdade. Sim, os Estados Unidos tem talentos, grandes universidades e um bom setor de alta tecnologia. Mas os mercados financeiros desempenham um papel muito importante, sendo responsáveis nos últimos anos por cerca de 30% dos lucros empresariais. Os executivos dos mercados financeiros obtiveram esses lucros com o argumento de que estavam ajudando a gerir o risco e a garantir maior eficácia ao capital. Por isso, diziam, mereciam rendimentos tão altos. Ficou demonstrado que isso não é certo. A gestão que eles executaram foi muito mal. Agora, o tiro saiu pela culatra e o resto da economia pagará porque as trocas comerciais cairão devido à redução do crédito. Nenhuma economia moderna pode funcionar bem sem um setor financeiro vibrante.Assim, o diagnóstico de Obama, quando diz que nosso setor financeiro está em estado deplorável, é correto. E se está em um estado deplorável, isso significa que nossa economia está em um estado deplorável. Ainda que não levássemos em conta a comoção financeira, mas só a dívida doméstica, nacional e federal, isso já bastaria para ver a seriedade do problema. Estamos nos afogando. Se observarmos a desigualdade, que é a maior desde a Grande Depressão, o problema é sério. Se observarmos o estancamento dos salários, o problema é sério. A maior parte do crescimento econômico dos últimos cinco anos baseava-se em uma bolha do setor imobiliário, que agora estourou. E os frutos desse crescimento não foram repartidos amplamente. Em resumo, os fundamentos não são bons.


Qual deveria ser, na sua opinião, a resposta política ao afundamento de Wall Street?

Stiglitz – Está claro que necessitamos não só voltar a regular, mas também redesenhar o sistema regulador. Durante seu reinado como chefe do Federal Reserve, no qual surgiu essa bolha hipotecária e financeira, Alan Greenspan tinha muitos instrumentos ao seu alcance para freá-la, mas não conseguiu fazer isso.Afinal de contas, Ronald Reagan escolheu-o por sua atitude contrária à regulação. Ele substituiu a Paul Volcker no Federal Reserve, conhecido por manter a inflação sob controle. O governo Reagan não acreditava que ele fosse um “liberalizador” adequado. Por conseguinte, nosso país sofreu os efeitos de escolher como regulador supremo da economia a alguém que não acreditava na regulação. De modo que, para corrigir o problema, a primeira coisa que precisamos é de líderes políticos e responsáveis que acreditem no papel da regulação. Além disso, precisamos estabelecer um sistema novo, capaz de suportar a expansão das finanças e dos instrumentos financeiros de um modo melhor que os bancos tradicionais.Precisamos, por exemplo, regulamentar os incentivos. Eles têm que ser pagos baseando-se nos resultados de vários anos, e não no de apenas um, porque este último modelo fomenta as apostas. As opções de compra de ações fomentam a adulteração da contabilidade e é preciso frear essa prática. Em resumo, oferecemos incentivos para que se alimentasse um mau comportamento no sistema.Além de freios, precisamos de faixas de controle. Historicamente, todas as crises têm estado associadas a uma expansão muito rápida de determinados tipos de ativos. Se conseguimos frear esse processo, podemos impedir que as bolhas cresçam de modo descontrolado. O mundo não desapareceria se as hipotecas crescessem 10% e não 25% anualmente. Conhecemos tão bem o patrão que deveríamos fazer algo para dominá-lo. Precisamos ainda de uma comissão de segurança para os produtos financeiros, assim como temos no caso dos produtos de consumo. O setor financeiro estava inventando produtos que não geriam o risco, mas sim o produziam.Certamente, acredito na necessidade de uma maior transparência. No entanto, desde o ponto de vista dos critérios reguladores, esses produtos eram transparentes em um sentido técnico. Mas eram tão complexos que ninguém os entendia. Mesmo que fossem tornadas públicas todas as cláusulas destes contratos, elas não trariam a nenhum mortal alguma informação útil sobre seu risco. Muita informação equivale a nenhuma informação. Neste sentido, aqueles que pedem mais revelações como solução para o problema não entendem a informação. Se alguém compra um produto, necessita de uma informação simples e básica: qual é o risco. Essa é a questão.Os ativos hipotecários que provocaram o caos estão em mãos de bancos ou fundos soberanos da China, Japão, Europa e países do Golfo.


Como essa crise os afetará?

Stiglitz – É certo. As perdas das instituições financeiras européias com as hipotecas subprime foram maiores do que as verificadas nos Estados Unidos. O fato de os EUA terem diversificado esses ativos hipotecários por todo o mundo, graças à globalização dos mercados, suavizou o impacto interno. Se não tivéssemos disseminado o risco por todo o mundo, a crise seria muito pior. Uma coisa que agora se entende, a conseqüência dessa crise, é a informação assimétrica da globalização. Na Europa, por exemplo, não se sabia muito bem que as hipotecas norte-americanas são hipotecas sem lastro: se o valor da casa baixa mais que o da hipoteca, pode-se devolver a chave ao banco e ir embora. Na Europa, a casa serve de garantia, mas o tomador do empréstimo segue endividado, aconteça o que aconteça. Este é um dos perigos da globalização: o conhecimento é local, sabe-se muito mais sobre sua própria sociedade do que sobre as outras.


Qual é então, em última análise, o impacto do naufrágio de Wall Street na globalização regida pelo mercado?

Stiglitz - O programa da globalização esteve estreitamente ligado aos fundamentalistas do mercado: a ideologia dos mercados livres e da liberalização financeira. Nesta crise, observamos que as instituições mais baseadas no mercado da economia mais baseada no mercado vieram abaixo e correram a pedir a ajuda do Estado. Todo mundo dirá agora que este é o final do fundamentalismo de mercado. Neste sentido, a crise de Wall Street é para o fundamentalismo de mercado o que a queda do Muro de Berlim foi para o comunismo: ela diz ao mundo que este modo de organização econômica é insustentável. Em resumo, dizem todos, esse modelo não funciona. Este momento assinala que as declarações do mercado financeiro em defesa da liberalização eram falsas.A hipocrisia entre o modo pelo qual o Tesouro dos EUA, o FMI e o Banco Mundial manejaram a crise asiática de 1997 e o modo como procedem agora acentuou essa reação intelectual. Agora os asiáticos dizem: “Um momento, para nós, vocês disseram que deveríamos imitar o modelo dos Estados Unidos. Se tivéssemos seguido vosso exemplo, agora estaríamos nesta mesma desordem. Vocês, talvez, possam se permitir isso. Nós, não”.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

A DIFERENÇA DE UMA VÍRGULA

Estou participando de um curso de atualização em língua portuguesa com um professor que é fora de série: João Bolognesi. Coloque uma vírgula nesta frase e veja a importância desse minúsculo símbolo.


"Se o homem soubesse o valor que tem uma mulher andaria de quatro a sua procura".


Obs: Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de mulher.
Se você for homem, certamente colocou a vírgula depois de tem.

DISCURSO DE LULA NA ONU

Mais uma peça histórica do nosso presidente. Segue abaixo a íntegra de seu discurso na abertura da Assembléia Geral das Nações Unidas. Fico a pensar na inveja de um conhecido ex-presidente.

Discurso do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, na abertura do debate geral da 63ª Assembléia Geral das Nações UnidasNova Iorque - EUA, 23 de setembro de 2008

Senhores e senhoras chefes de Estado e de Governo,Senhor Miguel d’Escoto, presidente da Assembléia Geral das Nações Unidas,Senhor Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas,Senhoras e senhores chefes de Delegação,Saúdo, com alegria, o presidente da Assembléia Geral, meu ilustre amigo Miguel d’Escoto. Desejo-lhe pleno êxito em sua missão. Esta Assembléia realiza-se em um momento particularmente grave.
A crise financeira, cujos presságios vinham se avolumando, é hoje uma dura realidade. A euforia dos especuladores transformou-se em angústia dos povos após a sucessão de naufrágios financeiros que ameaçam a economia mundial. As indispensáveis intervenções do Estado, contrariando os fundamentalistas do mercado, mostram que é chegada a hora da política. Somente a ação determinada dos governantes, em especial naqueles países que estão no centro da crise, será capaz de combater a desordem que se instalou nas finanças internacionais, com efeitos perversos na vida cotidiana de milhões de pessoas.A ausência de regras favorece os aventureiros e oportunistas, em prejuízo das verdadeiras empresas e dos trabalhadores. É inadmissível, dizia o grande economista brasileiro Celso Furtado, que os lucros dos especuladores sejam sempre privatizados e suas perdas, invariavelmente socializadas. O ônus da cobiça desenfreada de alguns não pode recair impunemente sobre os ombros de todos. A economia é séria demais para ficar nas mãos dos especuladores. A ética deve valer também na economia. Uma crise de tais proporções não será superada com medidas paliativas. São necessários mecanismos de prevenção e controle, e total transparência das atividades financeiras.Os organismos econômicos supranacionais carecem de autoridade e de instrumentos práticos para coibir a anarquia especulativa. Devemos reconstruí-los em bases completamente novas. Dado o caráter global da crise, as soluções que venham a ser adotadas deverão ser também globais, tomadas em espaços multilaterais legítimos e confiáveis, sem imposições. Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós.Há outras questões igualmente graves no mundo de hoje. É o caso da crise alimentar, que ameaça mais de um bilhão de seres humanos; da crise energética, que se aprofunda a cada dia; dos riscos para o comércio mundial, se não chegarmos a um acordo na Rodada de Doha; e da avassaladora degradação ambiental, que está na origem de tantas calamidades naturais, golpeando sobretudo os mais pobres.

Senhor Presidente, Senhoras e senhores, O Muro de Berlim caiu. Sua queda foi entendida como a possibilidade de construir um mundo de paz, livre dos estigmas da Guerra Fria. Mas é triste constatar que outros muros foram se construindo, e com enorme velocidade. Muitos dos que pregam a livre circulação de mercadorias e capitais são os mesmos que impedem a livre circulação de homens e mulheres, com argumentos nacionalistas, e até fascistas, que nos fazem evocar, temerosos, tempos que pensávamos superados. Um suposto “nacionalismo populista”, que alguns pretendem identificar e criticar no Sul do mundo, é praticado sem constrangimento em países ricos. As crises financeira, alimentar, energética, ambiental e migratória, para não falar das ameaças à paz em tantas regiões, demonstram que o sistema multilateral deve se adequar aos desafios do século XXI. Aos poucos vai sendo descartado o velho alinhamento conformista dos países do Sul aos centros tradicionais.Essa nova atitude não conduz, no entanto, a uma postura de confrontação. Simplesmente pelo diálogo direto, sem intermediação das grandes potências, os países em desenvolvimento têm-se credenciado a cumprir um novo papel no desenho de um mundo multipolar. Basta citar iniciativas como o IBAS, o G-20, as cúpulas América do Sul-África ou América do Sul-Países Árabes e a articulação dos BRICs.Está em curso a construção de uma nova geografia política, econômica e comercial no mundo. No passado, os navegantes miravam a estrela polar para “encontrar o Norte”, como se dizia. Hoje estamos procurando as soluções de nossos problemas contemplando as múltiplas dimensões de nosso Planeta. Nosso “norte” às vezes está no Sul.Em meu continente, a Unasul, criada em maio deste ano, é o primeiro tratado – em 200 anos de vida independente – que congrega todos os países sul-americanos. Com essa nova união política vamos articular os países da região em termos de infra-estrutura, energia, políticas sociais, complementaridade produtiva, finanças e defesa.Reunidos em Santiago do Chile há pouco mais de uma semana os presidentes da América do Sul, comprovamos a capacidade de resposta rápida e eficaz da Unasul frente a situações complexas, como a que vive a nação-irmã boliviana. Respaldamos seu governo legitimamente eleito, suas instituições democráticas e sua integridade territorial e fizemos um apelo ao diálogo como caminho para a paz e a prosperidade do povo boliviano.Em dezembro, o Brasil irá sediar, na Bahia, uma inédita cúpula de toda a América Latina e do Caribe sobre integração e desenvolvimento. Será uma reunião de alto nível, sem qualquer tutela, assentada em uma perspectiva própria latino-americana e caribenha.Todos esses esforços no plano multilateral são complementados por meio de ações de solidariedade de meu país para com nações mais pobres, especialmente na África. Quero também enfatizar nosso compromisso com o Haiti, país em que exercemos o comando das tropas da Minustah e ajudamos a restabelecer a paz. Renovo meu chamamento à solidariedade dos países desenvolvidos com o Haiti, muito prometida e pouco cumprida.

Senhor Presidente,A força dos valores deve prevalecer sobre o valor da força. É preciso que haja instrumentos legítimos e eficazes de garantia da segurança coletiva. As Nações Unidas discutem há quinze anos a reforma do Conselho de Segurança. A estrutura vigente, congelada há seis décadas, responde cada vez menos aos desafios do mundo contemporâneo. Sua representação distorcida é um obstáculo ao mundo multilateral que todos nós almejamos. Considero, nesse sentido, muito auspiciosa a decisão da Assembléia Geral de iniciar prontamente negociações relativas à reforma do Conselho de Segurança. O multilateralismo deve guiar-nos também na solução dos complexos problemas ligados ao aquecimento global, com base no princípio de responsabilidades comuns, porém diferenciadas. O Brasil não tem fugido a suas responsabilidades. Nossa matriz energética é crescentemente limpa. As crises alimentar e energética estão profundamente entrelaçadas. Na inflação dos alimentos estão presentes – ao lado de fatores climáticos e da especulação com as commodities agrícolas – os aumentos consideráveis do petróleo, que incidem pesadamente sobre o custo de fertilizantes e transporte.A tentativa de associar a alta dos alimentos à difusão dos biocombustíveis não resiste à análise objetiva da realidade. A experiência brasileira comprova – o que poderá valer também para outros países com características semelhantes – que o etanol de cana-de-açúcar e a produção de biodiesel diminuem a dependência de combustíveis fósseis, criam empregos, regeneram terras deterioradas e são plenamente compatíveis com a expansão da produção de alimentos. Queremos aprofundar esse debate, em todos os seus aspectos, na Conferência Mundial sobre biocombustíveis que convocamos para novembro, na cidade de São Paulo.Minha obsessão com o problema da fome explica o empenho que tenho tido, junto a outros líderes mundiais, para chegar a uma conclusão positiva da Rodada de Doha. Continuamos insistindo em um acordo que reduza os escandalosos subsídios agrícolas dos países ricos. O êxito da Rodada de Doha terá impacto muito positivo na produção de alimentos, sobretudo nos países pobres e em desenvolvimento.

Senhor Presidente,Há quatro anos, junto com vários líderes mundiais, lancei aqui em Nova Iorque a Ação contra a Fome e a Pobreza. Nossa proposta era, e continua sendo, a de adotar mecanismos inovadores de financiamento. A Unitaid, Central de Compra de Medicamentos, é um primeiro resultado dessa iniciativa, ajudando a combater Aids, tuberculose e malária em vários países da África. Mas não basta. Precisamos avançar, e muito, se queremos que a Humanidade cumpra efetivamente as Metas do Milênio. Em dezembro serão comemorados os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, que não pode ser objeto de uma homenagem meramente protocolar. Ela traduz compromissos inalienáveis, que nos interpelam a todos. Como governantes, mais do que a defesa retórica da Declaração, somos chamados a lutar para que os valores proclamados há seis décadas se transformem em realidade em cada país e em todo o mundo. Senhor Presidente,O Brasil de hoje é muito distinto daquele de 2003, ano em que assumi a Presidência do meu país e em que, pela primeira vez, compareci a esta Assembléia Geral. Governo e sociedade deram passos decisivos para transformar a vida dos brasileiros. Criamos quase 10 milhões de empregos formais. Distribuímos renda e riqueza. Melhoramos os serviços públicos.Tiramos 9 milhões de pessoas da miséria e outras 20 milhões ascenderam à classe média. Tudo isso em um ambiente de forte crescimento, estabilidade econômica, redução da vulnerabilidade externa e, o que é mais importante, fortalecimento da democracia, com intensa participação popular.No ano em que celebramos o centenário do grande brasileiro Josué de Castro, o primeiro diretor-geral da FAO e um dos pioneiros da reflexão sobre o problema da fome no mundo, vale a pena recordar sua advertência: “Não é mais possível deixar-se impunemente uma região sofrendo de fome, sem que o mundo inteiro venha a sofrer as suas conseqüências.” Tenho orgulho de dizer que o Brasil está vencendo a fome e a pobreza.

Senhor Presidente,Reitero o otimismo que expressei aqui há cinco anos. Somos muito maiores do que as crises que nos ameaçam. Dispomos de sentimento, razão e vontade para vencer qualquer adversidade. Esse, mais do que nunca, é o espírito dos brasileiros.

Muito obrigado.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Um pensamento para reflexões.

” Eu declaro que, se algum grande Poder concordasse em me fazer sempre pensar o que é verdadeiro e fazer o que é moralmente certo, sob a condição de ser reduzido a alguma espécie de relógio que recebe corda todas as manhãs ao sair da cama, eu aceitaria instantaneamente a proposta. A única liberdade que me importa é a liberdade de fazer o que é certo, a liberdade de fazer o que é errado, estou pronto a dispensar nos termos mais baratos, para qualquer um que a leve de mim.” ( T.H. Huxley -m1870 )

Um candidato realmente sem recursos


Veja a declaração de candidato realmente sem recursos nestas eleições.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

É complicado namorar até juíza.

Juíza apaixonada grampeia telefone de ex-namorado


Uma Juíza apaixonada e ressentida adotou uma atitude nada comum. Mandou grampear o telefone do seu ex-namorado, um advogado de Cananéia, no litoral paulista, onde ela julgava e ele morava. Não satisfeita e, provavelmente, movida pelo desejo de vingança, logo depois condenou e mandou para a cadeia o pai do ex-namorado.
O nome da ciumenta de plantão é Carmen Silvia de Paula Camargo. Seu comportamento insólito gerou uma grande confusão na sessão do Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) que tratou da promoção de Juízes em todo o Estado. Seu nome estava na lista de promoções.

Dotada de poder e de grande paixão, a Juíza, primeiro, mandou grampear o telefone do ex-namorado. Segundo o Des. Elias Tâmbara, corregedor de Justiça na época, a companhia telefônica forneceu o grampo por 15 dias e, ao perceber que as coisas não se encaixavam num enquadramento mais jurídico, procurou a corregedoria para comunicar a ocorrência. “O ato de uma Juíza que estava querendo vigiar a distância o namorado é incompatível com a atividade da Magistratura”, desabafou Tâmbara na sessão do Órgão Especial que analisou sua promoção.
Não satisfeita em vigiar o ex-namorado, a Juíza tentou vingar-se no ex-futuro sogro. Além de condenar o pai de seu ex-amor por porte ilegal de arma, impediu que ele recorresse da sentença em liberdade. A boa norma judicial ensina que, num caso assim, a Juíza sequer poderia cuidar do caso. “Ela deveria se dar por impedida e não conduzir o processo”, avalia Tâmbara. Por isso a Juíza responde a uma sindicância administrativa.

Responde a uma outra sindicância, acusada de indicar o nome de um advogado para defender dois rapazes de Campinas que foram presos em flagrante, em Cananéia, por porte de droga.
“Além destes episódios, a Juíza respondia também por embriaguez e assédio sexual”, alertou o vice-presidente do TJSP, Des. Canguçu de Almeida. Com uma ficha como essa, a proposta de promoção da Juíza só poderia dar em uma grande confusão. Foi o que aconteceu na reunião do Órgão Especial, que acabou tornando pública sua história de amor e decisões desatinadas.
Procurada pela reportagem em seu local de trabalho, a Juíza não foi encontrada.

A Procuradora de Justiça de São Paulo, Luiza Nagib Eluf, autora do livro A paixão no banco dos réus, é uma especialista em questões que envolvem paixão e Justiça. Para ela, a paixão explica, mas não justifica, desvios de conduta ou crimes. Mas, no caso presente, ela considera mais grave a confusão que se faz entre o público e o privado, muito comum no Brasil e muito prejudicial à sociedade. “A pessoa tem de saber separar o privado e o público, principalmente pessoas que detêm poder e o exercem em nome do povo”, diz ela.

Para o advogado tributarista Raul Haidar, a história da Juíza mostra que “o amor é mais cego que a Justiça”. O criminalista José Roberto Batochio também é compreensivo com as razões do coração, mas se preocupa com as questões da Justiça. “Nada de insólito no amor, e mesmo na paixão, ambos inseparáveis da contingência humana. O preocupante é a possibilidade – no caso, apenas teórica, já que não se conhecem as provas – de a jurisdição ser posta a serviço desses sentimentos, mais exatamente de suas inferiores decorrências.”

Batochio se preocupa igualmente com o uso indiscriminado da escuta telefônica. “Outra vez os famigerados e perigosos grampos como instrumento; praga da contemporaneidade! Telefonia houvesse em Veneza daqueles tempos e Yago teria induzido Otelo a grampear Desdemona, estejam certos…” Shirlei Horta, uma leitora da coluna Política & Cia. do jornalista Ricardo Setti no site Nomínimo, fez um comentário que também remete mais a Shakespeare do que aos códigos jurídicos: “Se ela faz isso por amor, imaginem o que fará por ódio!”

O também criminalista Arnaldo Malheiros Filho mostra igual preocupação com o uso indevido e abusivo da escuta telefônica: “A expedição de ordens judiciais de grampo telefônico virou um festival. É raro ver pedido de interceptação indeferido. O prazo máximo legal não pegou e a exigência constitucional de fundamentação das decisões está, nessa matéria, com vigência suspensa pelos usos e costumes de muitas Cortes. Este é apenas um dos muitos abusos que se tem visto ultimamente.”

Fonte: Maurício Cardoso – Consultor Jurídico

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A JUSTIÇA E A LEI SECA

Este está indo na contramão da sociedade. Não obstante a dimunuição dos acidentes de trânsito e a legalidade da nova legislação veja o ocorrido abaixo.

Juiz: cerveja é “paixão do brasileiro”
10 de Setembro de 2008 Publicado por Imprensa
Com o argumento de que beber cerveja é “uma paixão do brasileiro” e se dizendo contra a punição de quem bebe socialmente “algumas cervejas com amigos”, o Juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 1.ª Vara Criminal de Aparecida de Goiânia (GO), mandou soltar, em 4 de setembro, o motociclista Genivaldo de Almeida, preso há 15 dias, após ser reprovado no teste de bafômetro e ser pego infringindo o art. 306 da Lei n. 11.705/2008, a Lei Seca.
Para libertar Almeida, mandar restituir a moto apreendida, devolver a carteira de motorista e anular a multa, o Juiz considerou o art. 306 inconstitucional e a Lei Seca punitiva: “Não sou desfavorável à repressão de quem dirige embriagado e causa acidentes, mas sou contra a punição de quem bebeu socialmente algumas cervejas com amigos e sofre as punições apontadas na Lei Seca”, disse o Juiz, no processo.
“Para algo que não é tão grave, digamos que até padre ao celebrar uma missa e tomar um cálice de vinho pode ser vítima dessa situação”, ressaltou. O art. 306 da Lei Seca dispõe sobre a concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 decigramas.
Genivaldo foi preso às 21h00 do dia 21 de agosto pela Polícia Militar (PM), “quando ziguezagueava com sua moto” pelas ruas da cidade, segundo testemunho dos PMs. Após ser reprovado no teste do bafômetro, e por não ter dinheiro para pagar a fiança (R$ 361,00), Genivaldo ficou preso e à disposição da Justiça de Goiás.
Para o Juiz, é preciso separar as coisas. Nem o indivíduo que dirige bêbado pode ser punido da mesma forma que aqueles que ingerem uma ou duas cervejas, nem a Lei Seca deveria manter o texto atual: “A Lei Seca precisa sofrer sérias alterações e deve tratar diferentemente situações diversas”, disse o Juiz. “Não se pode punir de forma tão severa quem simplesmente faz uso de uma latinha de cerveja, ou seja, na mesma proporção de quem se encontra absolutamente embriagado”, criticou.
Também argumenta que, apesar de o brasileiro gostar de cerveja, “nem todos podem ser classificados de alcoólatras ou criminosos”. Considerou, em seu despacho, que a bebida é um “elo para resolução de pendências e negócios diversos”. E, além de fomentar a economia, a cerveja é uma “paixão do brasileiro, assim como o futebol”.
“Tal como uma refeição qualquer, não podemos ignorar que famílias tomem cervejas, favorecendo a economia em todas as ordens. Ir a um bar e não beber é o mesmo que comer sem feijão ou dormir sem tomar banho. O número de acidentes realmente diminuiu, mas qual prejuízo a lei realmente trouxe ao casal cerveja e futebol? Não há dúvida de que para a economia houve um retrocesso, não só para as cervejarias, mas para o comércio em geral, isso em troca de algumas almas que em tese momentaneamente foram salvas de acidentes”, afirmou o Juiz, no processo.
Para o Juiz, ocorreram falhas também na prisão. É que, após abordarem o motociclista, os PMs ficaram com o preso por mais de quatro horas, “fazendo o quê, não se sabe”, disse o Juiz, na sentença.
Rubens dos SantosFonte: O Estado de S.Paulo

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

MELHORES SLOGANS DESTA ELEIÇÃO


9 Melhores Slogans da Campanha Eleitoral 2008


9º lugar - Guilherme Bouças, com o slogan:'Chega de malas, vote em Bouças.


8º lugar - Grito de guerra do candidato Lingüiça, lá de Cotia (SP).'Lingüiça Neles!'


7º lugar - Em Descalvado (AL), tem um candidata chamada Dinha cujo slogan é:'Tudo Pela Dinha.'


6º lugar - Em Carmo do Rio Claro, tem um candidato chamado Gê.'Não vote em A, nem em B, nem em C; na hora H, vote em Gê.'


5º lugar - Em Hidrolândia (GO), tem um candidato chamado Pé.'Não vote sentado, vote em Pé.'


4º lugar - E em Piraí do Sul tem um gay chamado Lady Zu.'Aquele que dá o que promete.'


3º lugar - A cearense chamada Debora Soft, stripper e estrela de show de sexo explícito. Slogan: 'Vote com prazer!'


2º lugar - Candidato a prefeito de Aracati (CE):'Com a minha fé e as fezes de vocês, vou ganhar a eleição.'


1º lugar - Em Mogi das Cruzes (SP), tem um candidato chamado Defunto:'Vote em Defunto, porque político bom é político morto!'


Mandem mais alguns que vocês conheçam. A foto é da vereadora de Fortaleza Débora Soft, colocada em terceiro lugar nesta lista.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008