terça-feira, 19 de abril de 2016

SUPREMACIA DA MEDIOCRIDADE


Sinceramente achei a sessão da Câmara de Deputados, que aprovou o início do processo de impeachment da Presidente Dilma, um festival de horrores. Falo isto não pelo resultado em si, o qual demonstra a fragilidade do atual governo e sua ineficiência tanto política como administrativa. Falo pela explicitude da incompetência generalizada de nossos representantes.

Os nossos deputados não expressaram o devido respeito ao momento. Não havia limites para a hipocrisia. Integrantes até momentos atuais dos cargos e benesses do governo demonstravam-se revoltados com a corrupção e dos rumos do país. A apologia ao nome de Deus e da família empregada por conhecidos achacadores foi um escárnio para a sociedade. Notórios corruptos em suas práticas cotidianas travestiam-se de seres puros e castos, sob o aplauso de muitos. Lamento não concordar que devemos aceitar isto como uma coisa natural. 

O espetáculo medíocre foi motivo de chacota internacional. O jornal espanhol El País, citou em reportagem “Deus derruba a presidente do Brasil”. O jornal britânico The Guardian, relatou: “A presidente Dilma Rousseff sofreu uma grande derrota neste domingo em um Congresso hostil e contaminado pela corrupção”. Um festival de baboseiras assolou a sessão com alôs para papai, mamãe, filho que vai nascer, netos, igreja quadrangular, maçons, etc etc. 

Faço justiça para ressaltar que algumas poucas vozes dissonantes saíram desta normalidade. Vi alguns raros parlamentares defender o impedimento com argumentos, mantendo sua posição de oposição. Vi também parlamentares assumirem os erros do governo e defenderem também com boa argumentação a presidente. Mas nada apaga a apologia da ditadura feita por um nefasto representante do parlamento. Também nada apaga que o magistrado daquela sessão seja um notório corrupto, com a cara deslavada e cínica a rir do país. 

Lamentável.

Vi um festival de horrores, sob a batuta de um corrupto mor e sob o aplauso do ódio. Aguardemos os próximos capítulos do "Brasil horror história".