terça-feira, 10 de janeiro de 2017

NOVAS ADMINISTRAÇÕES MUNICIPAIS


Neste período inicial de novas administrações municipais temos escutado relatos de desmonte em prefeituras. Dívidas, patrimônio abandonado, escolas em péssimo estado, serviços paralisados, lixo acumulado nas ruas; um verdadeiro presente grego. E em muitos casos as alegativas dos novos gestores são verdadeiras. Frutos de uma cultura administrativa patrimonial, presenciam-se casos lamentáveis de desmando, corrupção, favorecimento a amigos e familiares, além de ampla ineficiência.

Este quadro que ainda vivenciamos precisa mudar. E não mudará por obra de alguns bem intencionados prefeitos (estes cada vez mais raros). Mudará se as pessoas enfim acordarem para desempenhar seu papel de cidadão e não apenas de eleitor de dois em dois anos. Hoje os instrumentos de transparência pública possibilitam acompanhar as despesas do município em tempo real. A sociedade pode e deve acompanhar como está sendo gasto o seu dinheiro. 

Não dá para aceitar, por exemplo, que município gaste milhões com locações de veículos a amigos e apoiadores. Não dá para aceitar gastos exorbitantes com assessorias inexistentes, com coffee breaks desnecessários, com coleta de lixo ineficiente, com transporte escolar de péssima qualidade. E quem pode cobrar e denunciar estas arbitrariedades é o próprio cidadão.  

Por incrível que pareça, os administradores municipais de hoje, e que reclamam do desmantelo encontrado; podem ser os mesmos, após o período temporal de quatro anos, a deixar a prefeitura com servidores atrasados, com não repasse de consignados, com as escolas faltando merenda escolar, com o lixo na sua esquina, com obras inacabadas, etc. Por isto, não existe solução mágica ou salvador da pátria ou do município. Enquanto o nosso papel permanecer apenas de eleitor não evoluiremos.

Sei que há avanços. Há bons exemplos de cidadania ativa, de grupos sociais que acompanham o desenrolar da vida administrativa em suas cidades, de representantes do Ministério Público com atuação louvável. Mas ainda é exceção a regra. Sem partidarismos, cobremos de nossos representantes. Elogiemos quando justificada a ação. Critiquemos e reivindiquemos quando necessário.  A democracia e a cidadania agradecem.