sexta-feira, 3 de maio de 2013

TORCIDAS ORGANIZADAS: PARA QUE?

Sou de um tempo não tão distante de que ir aos estádios era um prazer para relembrar. Tempo em que ir ao estádio era para apreciar o futebol; divertir-se; tomar uma cerveja com amigos e comer um churrasquinho; rir dos gritos, brincadeiras e desabafos de quem estava do lado; curtir a paixão maravilhosa que é o futebol. E depois relembrar no trabalho ou no colégio/faculdade a repercussão das partidas, curtir a gozação com com os colegas adversários seja na vitória do nosso time favorito ou sofrer as brincadeiras em suas derrotas. Este é o prazer do futebol brasileiro. Debater como se fosse o técnico da seleção, expor nossas idéias, nossos dias de "Telê" ou "Felipão".

Fui integrante da torcida Garra Canarinha. Junto com o Guaracy da banca e mais uma penca de amigos (Júlio César, Hélio Show, Robson, etc) íamos ao Estádio dos Imigrantes (hoje José Abílio em Quixadá) torcer pelo Quixadá Futebol Clube. E era um tempo bom, apesar das constantes derrotas do nosso Quixinha. Nada de violência, somente paz, brincadeiras, alegrias, paixões e tristezas. Lembro de ir ao Castelão acompanhar minhas irmãs para torcer pelo Fortaleza no meio da torcida organizada. Tempo de fazer amigos e amigas, de curtir uma tranquilidade apaixonante e nostálgica.

Este tempo de amizade, de fraternidade, de companheirismo, de respeito no futebol parece ter sido esquecido. As torcidas organizadas tem colocado como seus lemas a violência, o preconceito, o ódio, a intolerância, o desrespeito. Não entendo como podem ser tão ridículos, tão desrespeitosos, tão nefastos ao futebol. Continuo indo aos estádio, mas me envergonha o comportamento de cidadãos que se dizem torcedores e ao mesmo tempo quebram cadeiras, depredam o patrimônio público, fazem apologia do terror e da violência. Que exemplo estão dando estas torcidas, senão de colaborar com a destruição do futebol, que é um dos poucos prazeres dos brasileiros? Vergonhoso é o comportamento destes pseudo torcedores. Estão afastando as famílias, os jovens, as crianças e mulheres dos estádios. 

Está mais do que na hora de as autoridades do futebol e do Estado brasileiro tomarem medidas enérgicas e moralizadoras. Não dá para conviver em estádios de primeiro mundo e a torcida de sexta categoria. Não dá para aceitar que marginais afastem as pessoas do futebol. Não dá para aceitar a violência suplantar a alegria do esporte. As torcidas organizadas devem passar por uma profunda mudança ou mesmo a extinção, caso permaneçam da forma como se encontram. E isto deve acontecer de forma imediata, urgente, emergencial. O futebol envolve paixão, trabalho coletivo, organização; não pode ser símbolo de violência, de morte, de medo. Chega. Basta.  

obs: a foto mostra como deve se portar adversários no esporte. Com amizade, brincadeiras e criatividade. Esporte é alegria e paixão. Nada de ódio e intolerância.