segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

EQUIDADE DE GÊNERO: O PAPEL DOS ENTES DA FEDERAÇÃO



Com este texto abaixo inicio a monografia de conclusão do curso de direito da UNIFOR.O tema é o título desta postagem e aborda a trajetória de lutas das mulheres pela igualdade de direitos. Procurei fazer um resgate de algumas personagens da história de Quixadá. Neste trecho conto um pouco da trajetória de Ester Holanda. A apresentação da mono será nos próximos dias e terá na banca Humberto Cunha (Dr.), Filomeno de Moraes (Dr.) e Laécio Noronha (Dr,)

Quando eu era menino, existia uma senhora, já com idade avançada, que circulava pelas ruas do bairro e visitava as casas, onde tomava café e batia um papo repetitivo. Meu pai me falou com respeito sobre ela: “Seu nome é Ester Holanda, foi a primeira a mulher a usar calça comprida e a montar cavalo como se fosse um homem”. Não compreendi a informação. Até porque minhas coleguinhas de colégio usavam farda de calça comprida e já tinha visto minhas primas montando cavalo da mesma forma que os vaqueiros da fazenda de meu tio. Foi preciso muitos anos para que eu pudesse entender o simbolismo que teve o gesto de Ester Holanda de desafiar a sociedade da época e ser a primeira mulher a vestir uma roupa considerada de “homem” em sua cidade natal. Hoje imagino como deve ter sido o impacto para as conservadoras famílias de ver uma mulher montar cavalo sem ser de “ladinho” como era a prática à época. Foram gestos e atos feitos por milhares de mulheres ao longo da história mundial, muitas delas anônimas, que romperam com a cultura do preconceito e discriminação. Não que as mulheres tenham conseguido alcançar a igualdade desejada para com os homens. Ainda há muito a conquistar, mas estes últimos tempos trouxeram grandes vitórias, a ponto de muitos estudiosos afirmarem que a maior transformação verificada neste último século foi a revolução feminina.