domingo, 4 de março de 2012

TURISMO NA TERRA DOS MONÓLITOS

Sempre quando se discute sobre os rumos de nossa cidade, um dos caminhos apontados é o desenvolvimento do turismo. Sem dúvida, trata-se de uma das áreas mais potenciais para impulsionar Quixadá. Não há necessidade de ser um estudioso na área ou um turismólogo para verificar que o setor turístico deve ser visto com prioridade nas ações públicas.

Quixadá tem diversos cartões postais que a referendam como um local a ser visitado por visitantes do mundo inteiro. A beleza ímpar do Açude Cedro, a Pedra da Galinha Choca, os belíssimos monólitos que a rodeiam, o Santuário Nossa Senhora Rainha do Sertão, o Chalé da Pedra, a Serra do Estevão, a Gruta do Magé, as trilhas maravilhosas em nossa caatinga, etc. Isto sem falar que foi a terra escolhida para viver por Rachel de Queiroz e Cego Aderaldo, dois ícones da cultura nacional. Claro que está se falando de potencialidades, pois de trabalho profissional estamos a grande distância do ideal.

O que fazer para melhorar? Muita coisa pode ser feita e há inúmeros parceiros para se trabalhar o setor. Há inclusive dois grandes eventos mundiais em vias de acontecer que colocarão nosso país na berlinda: Copa do Mundo e Olimpíada. Os tempos são promissores para a atratividade de investimentos públicos e no Ceará há uma situação peculiar com os jogos da seleção brasileira em Fortaleza na copa de 2014 e pelo aporte de recursos para equipamentos turísticos relevantes como o Centro de Eventos, Castelão e Aquário.

Como aproveitar melhor nossas potencialidades e os ventos promissores? Primeiramente pela definição de um Plano Municipal de Turismo, o qual deve envolver todos os atores do trade turístico local. Neste plano, que deve ser trabalhado com consultoria especializada, devem ser definidos os projetos e ações a serem implementados. A qualificação da mão de obra deve merecer capítulo especial, pois é uma das nossas maiores carências. Precisa-de de qualidade no atendimento dos serviços e isto é fundamental para a consolidação de uma política sustentável do turismo.

Para trabalhar o setor defendo que se tenha efetivamente uma ação profissional. Deve-se montar um equipe competente para as ações de execução do Plano Turístico. E temos bons profissionais em nossa cidade. Alguns formados em cursos de Turismo e outros talhados ao longo do tempo pela estrada da vida. Deve-se também aproveitar os egressos do curso do IFET que podem cerrar fileiras no exército do desenvolvimento turístico. Claro que parto do pressuposto da gestão municipal colocar o turismo como uma das prioridades máximas do município. Afinal, nao basta apenas fazer um plano turístico. Deve-se buscar sua efetivação. Deve-se garantir gente qualificada para tocar os projetos. E precisa-se de bons projetos. Implantar um Escritório de Projetos é uma das alternativas, conforme tratei em artigo anterior

A implementação e promoção de eventos de difusão do turismo em nossa cidade deve ser contínua e permanente. Há boas sementes como o Carnaval Popular (que merece ser totalmente reformulado), a Festa Pula Fogueira, o Encontro dos Profetas Populares das Chuvas, o XCeará (competição de vôo livre), etc. Deve-se resgatar o "Sertão Esporte de Aventura", Quixadá Mostra de Cinema e o Festival Internacional de Trovadores e Repentistas. E criar novos eventos em consonância com os cenários e percepções do meio turistico. Não deve-se desprezar os eventos de cunho religioso como os comemorativos a Nossa Senhora Rainha do Sertão, a São Francisco, aos padroeiros Jesus, Maria e José e aos recentes shows de música gospel que leveram grandes multidões para as praças. Todos devem ser apoiados e ter uma organização profissional para sua efetivação como eventos que atraiam o público local e o externo.

Empreendimentos públicos devem ser redimensionados, implantados e construídos. O Memorial Rachel de Queiroz deve sair do papel, bem como o relacionado ao Cego Aderaldo. Defendo que a Praça da Estação vire um grande entreposto cultural e turístico. A área do antigo galpão ferroviário merece ser o nosso Cine/Teatro. A Estação Ferroviária merece se tornar o espaço de difusão das artes e suas exposições. O antigo Hotel está talhado para receber o Arquivo Público Municipal. Juntando-se estes novos equipamentos ao Museu e a Biblioteca, que ficam em seu entorno, teríamos um grande corredor da cultura, bem como a preservação de prédios históricos.

Capítulo especial deve ser o direcionado ao Açude Cedro. Ali encontra-se nosso maior tesouro. E como pode se desenvolver. Pode-se aproveitar os galpões em espaços de exposições permanentes, restaurantes e outras áreas de entretenimento. Faz-se necessário a definição de regras de sua utilização que garantam sua preservação. A implantação de atividades de passeios de canoa e nas trilhas existentes deve ser incentivada. Um maior cuidado de limpeza e segurança também deve ser assegurado de forma permanente, bem a adequação dos quiosques e restaurantes ao padrões de higiene/sanitários exigidos.

Pode-se atrair investimentos privados para a área. Uma das saídas pode ser o apoio a projetos de empresários locais. O ramos de hotelaria, gastronomia e de entretenimento devem merecer atenção especial. Não devem faltar esforços e recursos para tais apoios. Novamente faço alusão ao Plano Turístico Municipal que deve estar atento às parcerias público/privadas. Ressalte-se que ele deve ser priorizado e atualizado constantemente.

Pode-se perguntar onde arranjar recursos para tantas ações? Respondo que nunca houve tanta possibilidade de se captar investimentos. Basta aproveitar o momento, com competência na elaboração de projetos e eficácia na gestão pública. Recursos para a área turística não devem faltar nos próximos anos. É preciso a cidade de Quixadá acorde para discutir e planejar o seu futuro. Estas são algumas das idéias que defendo e espero que contribuam para o debate neste ano eleitoral.

foto: Trilha Ecológica no Hotel Pedra dos Ventos

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