segunda-feira, 7 de novembro de 2011

QUIXADÁ, NOSSA CIDADE, TERRA DOS MONÓLITOS

De vez em quando surge uma discussão entre qual deve ser o melhor local para se viver. Quando temos uma cidade que se encontra perto da outra, este dilema fica ainda mais forte. Assim o é entre Juazeiro e Crato, Tauá e Crateús, Quixeramobim e Quixadá, entre tantas outras. Muitos proclamam e preparam versos, estrofes e músicas sobre a beleza de sua cidade, do local onde nasceu, de como é melhor o seu município ou região.

Na verdade, todos estão certos quando dizem que o melhor local para se morar é a sua cidade. É lá onde nascemos e vivemos; fazemos amizades e trabalhamos; namoramos e casamos; temos nossos filhos e nossos netos; tudo lá acontece. É bem verdade que alguns tem que sair de sua cidade para ganhar a vida, conseguir emprego ou estudar. A maior parte dos que vão embora, contudo não esquecem as suas origens. As recordações, as vivências, os relacionamentos continuam na lembrança por muitos e muitos anos. Na maioria das vezes para a vida inteira.

Faço este preâmbulo para falar da nossa amada terra Quixadá. Não pude escrever sobre ela no seu aniversário de 141 anos, mas procurarei retratar um pouco do meu sentimento.

Quixadá tem muitos encantos. Um deles, sem dúvida, são seus monólitos. Belíssimas montanhas que fascinam a todos que tenham o privilégio de colocar seus olhos. Realmente são como um oásis no sertão. Como que de repente, surgem aquelas montanhas na estrada. Uma vista logo após a entrada para o distrito São João dos Queiroz, quando nos deparamos com a magnitude das montanhas cinzentas, demonstra que estamos chegando em um lugar diferenciado, talvez mágico. A pedra da Galinha Choca, nosso mais famoso monólito, é um exemplo da presença divina, tal sua rara beleza.

Há outros fascínios em Quixadá. Seu povo hospitaleiro, festivo, solidário, trabalhador, rebelde, também é uma marca forte de nossa terra.

Sabemos receber bem os visitantes, Não é a toa que muitos dos que vem conhecer a terra dos monólitos, acabam fincando raízes, casando e morando até o fim dos seus dias.

Somos festivos, não conheço povo mais alegre e disposto a uma animação. Como diz um ditado local, bateu uma música na lata e lá estamos na praça nos confraternizando e nos divertindo.

O quixadaense é por natureza trabalhador, seja nos algodoais, quando tínhamos o "ouro branco" a levar riqueza para o sertão; seja na construção do Açude Cedro; seja na pecuária que chegou por aqui com o pioneiro José de Barros Ferreira, fundador de nossa cidade.

Rebelde assim o somos por natureza. Não é sinal de rebeldia construir uma cidade em um local que pouco chove, que o sol é quente e escaldante? Sim, somos rebeldes e por isso mesmo tivemos a Aliança Artística e Proletária como um espaço de questionar o status quo. De debater temas ousados para aqueles tempos iniciais do século passado. Foi aqui em nossa cidade que tivemos embates duros entre patrões e sindicatos de trabalhadores. Foi no nosso Quixadá que ousamos e conseguimos implantar uma universidade questionadora e revolucionária que foi a Feclesc (Faculdade de Educação, Ciências e Letras do sertão Central). Foi de nossa cidade que nasceram José Martins Rodrigues, Jacinto de Sousa, José Bonifácio de Sousa, Jáder de Carvalho, Maria Luíza Fontenele, Rosa da Fonseca, Luiza Henrique, entre tantas outras mulheres e homens de luta.

Quixadá é realmente uma cidade bela e encantadora. Poderíamos escrever linhas e linhas sobre sua beleza física. Falar dos esportes de aventura, dos discos voadores, do Chalé da Pedra, do Cego Aderaldo, da Fazenda Magé, de Rachel de Queiroz, do Santuário Rainha do Sertão, etc. Mas é em sua alma que esconde o maior de seus encantos, que é o seu povo. Se Quixadá possui uma aura especial é por causa das pessoas que por aqui passaram e pelas que vivem seu presente. A simbiose entre seu povo e sua terra é que transforma a "terra dos monólitos" em um lugar dificil de esquecer, dificil de estar longe, díficil de não ter saudade.