domingo, 10 de julho de 2011

DR. ANTÔNIO MAGALHÃES - SAUDADES

Quando a juventude se vai e a maturidade chega passa-se a sentir a realidade das perdas de amigos e familiares. Fica a lembrança dos momentos em que tivemos o prazer de sua companhia. Faço este relato para manifestar a perda de diferentes amigos que se foram recentemente. Dona Terezinha Ribeiro, Delmiro, Célio Holanda e mais recentemente Dr. Antônio Magalhães. Todos deixaram tristes seus familiares e amigos pela perda. Fica o consolo de que, pelas suas trajetórias nas vidas terrenas, serão muito bem recebidos por Nosso Pai.

Quero falar um pouco de Dr. Antônio Magalhães pelo pouco que sei de sua vida e trajetória. Primeiramente falar do pai sempre zeloso e orgulhoso por seus filhos. Demonstrava muito amor por cada um deles nas conversas que tive com ele. Sempre de bem com a vida. Era uma presença sempre alegre e agradável nas rodas sociais. Sintonizado com as artes, foi sempre uma pessoa apoiadora da música, da pintura, da filatelia, da literatura, etc. Defensor da tradição de Quixadá, tornou-se guardião de peças que contam parte de nossa história. Lembro que me contou sobre um objeto antigo (acho que um piano da primeira igreja) que ia ser jogado fora como lixo, de pronto pediu a doação e o guardou até os dias atuais. Defensor de melhorias para nossa cidade, foi um dos mais entusiastas defensores da instalação da UECE, afora outras lutas que trilhou por Quixadá.

Do profissional médico não podemos nem avaliar a quantidade de vidas que salvou ao longo de toda sua carreira. Quando chegou em nossa cidade, como jovem médico, a carência por médicos era ainda maior que nos dias de hoje. Eram tempos dificeis e ele enfrentou a dura realidade da saúde pública sendo sempre um profissional dedicado. Devo-lhe minha vida. Fui fruto de um parto dificil e foi por suas mãos hábeis e competentes que as dificuldades foram suplantadas e eu pude respirar para alegria de meus pais. 

Do amigo Dr. Antônio Magalhães devo ainda relembrar que nos momentos dificeis, ele era uma pessoa sempre presente e solidária. Na época da morte de meu irmão foi o primeiro a me relatar o ocorrido. E acompanhou-me quando tivemos que dar a noticia a meus pais. Escrevo estas palavras com lágrimas pois perdi um amigo. E amigo é aquele que mesmo longe está sempre presente.

A última vez que o vi foi na missa. Ele estava elegante, com sua tradicional indumentária, de calça branca e camisa estampada. Perguntou-me como estava e me deu um abraço. Não sabia que seria de despedida. Lá em cima será bem recebido. Reverá amigos que já foram como o inseparável Lúcio Holanda. Ficará bem com certeza. Vai deixar saudades, mas saudades existem porque aqui ele cultivou muitas hortas, flores e rosas.

obs: Tenho fotos com ele mas não estão em meio digital. Nesta ele cuidava de um paciente (Sr. Barroso) em um caso famoso que acompanhou.