quarta-feira, 31 de março de 2010

E O CARNEIRO FUGIU ?


Era a campanha de 1990. Travestia-se de candidato o jovem advogado Ricardo Machado. Seria o representante na Assembléia Legislativa do município de Quixeramobim. No meio da campanha surge convite de um apoiador seu para a realização de uma atividade política no bairro da Cidade 2.000 em Fortaleza. Segundo o apoiador iria realizar o maior comício da campanha. Seu nome era Bigode, conhecido bon-vivant e bebedor emérito.

Desconfiado da promessa do amigo apoiador, Ricardo resistiu. A insistência de Bigode foi grande, que ele assentiu na realização do evento. Bigode exigiu poucos recursos para o comício:

- Preciso apenas de carro de som para divulgar, cartazes para decorar a praça e um carneiro. Lhe garanto que levo mais de 5.000 pessoas.

Assim foi feito. Quando chegou o dia do evento, Ricardo foi recebido com uma multidão nunca vista em comício nenhum na Cidade 2.000. Era gente que não acabava mais e o candidato ficou animado com a possibilidade de tantos votos. Ricardo fez um grande discurso na defesa da democracia, da ética e seriedade. Ninguém arredou o pé durante seu discurso e muito menos quando terminou. 

Foi então que Ricardo percebeu que além do comício haveria um bingo de um carneiro. Bigode tinha percorrido todas a região divulgando o bingo. Distribuiu cartelas para todos, prometendo ser um carneiro legítimo do sertão. E o bingo aconteceu. Foi um sucesso total.

O problema foi quando foram entregar o carneiro ao ganhador. O carneiro tinha conseguido se soltar da corda e fugira pela ruas do bairro. O povo esculhambava o candidato:

- Esse nem entrou e já tá descumprindo promessa.

Ricardo falava para seus amigos próximos:

- Onde tava com a cabeça para confiar no Bigode. Me lasquei nessa.

Foi um deus-nos-acuda para encontrar o animal. A desgraça foi evitada quando um senhor chegou com o carneiro fujão.

Conclusão: votos que eram bons, foram poucos na Cidade 2.0000 que sairam para Ricardo, mas Bigode fez o maior comicio da história da Cidade 2.000, até hoje não repetido.