quinta-feira, 30 de abril de 2009

ORIGENS 1o. DE MAIO E SIGNIFICADO ATUAL


Acho que as condições do trabalhador brasileiro, se comparado a alguns anos atrás, está em bem melhor situação. Sabemos das dificuldades da crise econômica, causada principalmente pela sanha especulativa do capital financeiro. E a conta tem vindo para todos pagarem. Mesmo assim temos uma recuperação do poder de compra do salário mínimo como há muito não víamos em nosso país. Algum tempo atrás lutávamos para ter um salário mínimo de 100 dolares e agora estamos bem além desse sonho antigo. A lutas agora são outras. Vão desde a melhora da educação à luta por um sistema de saúde que contemple a todos. Tem coisa mais injusta do que ter que pagar plano de saúde ? Isso para os que podem pagar. A grande maioria não pode. Amanhã é feriado para muitos e dia de trabalho para outros. Afinal alguém tem que trabalhar nesse nosso espledoroso país. Mas de onde surgiu as comemorações do dia do trabalho ?
Vieram de tempos bem mais difíceis que os que nós vivenciamos. Se ainda estamos longe do ideal, as nossas bravas conquistas foram feitas à custa do sangue de muitos que nos antecederam.
Este texto de Jorge E. Silva com algumas adaptações minhas retrata um pouco dessa história.

No século XIX era comum (situação que se manteve até aos começos do século XX) o trabalho de crianças, grávidas e trabalhadores ao longo de extenuantes jornadas de trabalho que reproduziam a tradicional jornada de sol-a-sol dos agricultores.
Com o desenvolvimento do associativismo operário, e particularmente do sindicalismo autônomo, a proposta das 8 horas de jornada máxima, tornou-se um dos objetivos centrais das lutas operárias, marcando o imaginário e a cultura operária durante décadas em que foi importante fator de mobilização, mas, ao mesmo tempo, causa da violenta repressão e das inúmeras prisões e mortes de trabalhadores.
Desde a década de 20 do século passado, irromperam em várias locais greves pelas oito horas, sendo os operários ingleses dos primeiros a declarar greve com esse objetivo. Aos poucos em França e por toda a Europa continental, depois nos EUA e na Austrália, a luta pelas oitos horas tornou-se uma das reivindicações mais freqüentes que os operários colocavam ao Capital e ao Estado.
Quando milhares de trabalhadores de Chicago, tal como de muitas outras cidades americanas, foram para as ruas no 1° de maio de 1886, seguindo os apelos dos sindicatos, não esperavam a tragédia que marcaria para sempre esta data. No dia 4 de maio, durante novas manifestações na Praça Haymarket, uma explosão no meio da manifestação serviu como justificativa para a repressão brutal que seguiu, que provocou mais de 100 mortos e a prisão de dezenas de militantes operários e anarquistas.
Alberto Parsons um dos oradores do comício de Haymarket, conhecido militante anarquista, tipógrafo de 39 anos, que não tinha sido preso durante os acontecimentos, apresentou-se voluntariamente à polícia tendo declarado: "Se é necessário subir também ao cadafalso pelos direitos dos trabalhadores, pela causa da liberdade e para melhorar a sorte dos oprimidos, aqui estou". Junto com August Spies, tipógrafo de 32 anos, Adolf Fischer tipógrafo de 31 anos, George Engel tipógrafo de 51 anos, Ludwig Lingg, carpinteiro de 23 anos, Michael Schwab, encadernador de 34 anos, Samuel Fielden, operário têxtil de 39 anos e Oscar Neeb seriam julgados e condenados. Tendo os quatro primeiros sido condenados à forca, Parsons, Fischer, Spies e Engel executados em 11 de novembro de 1887, enquanto Lingg se suicidou na cela. Augusto Spies declarou profeticamente, antes de morrer: "Virá o dia em que o nosso silêncio será mais poderoso que as vozes que nos estrangulais hoje".
Este episódio marcante do sindicalismo, conhecido como os "Mártires de Chicago", tornou-se o símbolo e marco para uma luta que a partir daí se generalizaria por todo o mundo.
A partir da década de 90, com a decisão do Congresso de 1888 da Federação do Trabalho Americana e do Congresso Socialista de Paris, de 1889, declararem o primeiro de maio como dia internacional de luta dos trabalhadores, o sindicalismo em todo o mundo adotou essa data simbólica, mesmo se mantendo até ao nosso século como um feriado ilegal, que sempre gerava conflitos e repressão.
Segundo o historiador do movimento operário, Edgar Rodrigues, a primeira tentativa de comemorar o 1o. de maio no Brasil foi em 1894, em São Paulo, por iniciativa do anarquista italiano Artur Campagnoli, iniciativa frustrada pelas prisões desencadeadas pela polícia.

Hoje vivenciamos um período democrático em que a nossa Constituição é clara no direito de reunião. Festas de trabalhadores acontecem em todo o país puxados por centrais sindicais e órgãos públicos. Voltando à nossa Constituição, ela trouxe inúmeras conquistas em seus artigos, alguns ainda necessitando de luta dos trabalhadores para serem regulamentadas. Mais ela traduz um sentimento de que a nossa democracia veio para ficar. Ela está passando dos 21 anos, fato raro na nossa história repleta de golpes e ditaduras. Sendo assim, viva o trabalhador brasileiro, de tantas lutas, greves, conquistas, derrotas e desafios.
obs: A foto mostra parte dos operários que construiram a usina de biodiesel da PETROBRAS em Quixadá, com a qual simbolicamente homenageio os trabalhadores de nosso país.